Células estaminais utilizadas na recuperação de AVC

Um projeto terapêutico inovador, que recebeu um milhão de euros em apoios, vai permitir investigar a recuperação dos doentes vítimas de AVC - Acidente Vascular Cerebral, com células estaminais.

O projeto recebeu um milhão de euros de fundos comunitários para poder avançar. Numa primeira fase serão realizados estudos em laboratório, já no decorrer do próximo ano, e só depois se iniciam os casos clínicos.

O consórcio que vai permitir avançar na recuperação de doentes após terem um AVC surgiu "fruto do acaso" numa viagem ao estrangeiro e foi "amor à primeira vista" das três entidades que o compõem.

Vítor Lourenço, presidente do conselho de administração do Hospital Rovisco Pais, Centro de Medicina de Reabilitação, confirma que, de uma viagem ao exterior, conheceram-se três entidades que trabalham a pouco mais de 10km de distância em Portugal e daí nasceu, depois de reflexão, este projeto inovador. "Pretendemos acrescentar algo mais ao que existe em termos terapêuticos e no momento, como existe um grande enfoque nas células estaminais, fez-nos refletir se poderia ser um caminho".

A reportagem de Miguel Midões

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Na prática, o que se espera é uma regeneração das células afetadas, com a colocação de células estaminais. "Essas células vão à zona morta pós AVC e na sua replicação e trabalho celular podem dar outra condição de vida àquela zona cerebral, esperando que haja recuperação de algumas faculdades, como os sentidos ou a nível motor, que é o mais visível em termos de limitação", explica.

A viabilizar a ideia deste consórcio e a indicar que há caminho pela terapia com células estaminais, está o investigador Lino Ferreira, do Centro de Neurociências da Universidade de Coimbra, que refere que "o ensaio clínico tem como premissa um outro ensaio que decorreu fora de Portugal e serviu de base para lançar este projeto, já a parte exploratória será lançada em modelos animais."

Envolvidos neste projeto inovador de tratamento com células estaminais está a Crioestaminal. André Gomes refere que a bagagem de conhecimento que a empresa tem neste setor é fundamental, uma vez que já tiveram "vários projetos de investigação utilizando células do sangue do cordão umbilical, e de outras fontes, para descobrir novas aplicações. A nossa experiência do passado e o conhecimento que temos no banco de sangue do cordão é muito importante porque tem critérios de qualidade e segurança, que permite utilizar estas células para o tratamento destas doenças".

A Crioestaminal está sediada no Biocant, em Cantanhede. O Centro de Inovação em Biotecnologia que aparece a apadrinhar este consórcio. "O nosso papel neste projeto é de padrinho. Estimulamos o casamento entre empresas e investigadores. Neste caso concreto beneficiamos da proximidade com o Hospital Rovisco Pais porque nos traz uma oportunidade de sermos mais efetivos nesta translação da nova tecnologia que desenvolvemos para a prática clínica", sublinha Carlos Faro, presidente do Biocant.

Este projeto piloto de terapêutica com células estaminais só no Centro de Medicina e Reabilitação - Hospital Rovisco Pais pode vir a ajudar, por ano, mais de 250 doentes que sofreram um AVC. Em todo o país serão milhares.

A unidade hospitalar está na capacidade máxima de ocupação, por isso, existe um projeto de ampliação do hospital em mais 70 camas para doentes vítimas de AVC.

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