Katie Bouman, a mulher que conseguiu a primeira fotografia do buraco negro

Se o mundo pode observar pela primeira vez um buraco negro, a ela o deve. Com apenas 29 anos, Katie Bouman liderou a equipa que desenvolveu o algoritmo que nos trouxe a imagem inédita.

Se acha que para fotografar um buraco negro basta pegar numa máquina fotográfica, apontar e disparar, está enganado. Para que hoje o mundo possa visualizar, pela primeira vez, o misterioso buraco negro, foram precisos, nada mais, nada menos que 200 cientistas, oito telescópios e um algoritmo complexo, que durou três anos a construir.

Basta imaginar um corpo celeste, no coração da galáxia M87, a 50 milhões de anos-luz do nosso planeta. "É como tirar uma foto de uma uva na lua, mas com um radiotelescópio", explicava em 2016 Katie Bouman, a mulher que liderou este projeto e que há três anos explicava que só seria possível obter uma imagem de algo tão pequeno com "um telescópio de 10.000 quilómetros de diâmetro. O que não é muito prático, já que o diâmetro da Terra não chega a 13 mil quilómetros"

A cientista de computação começou a desenvolver a ideia como mestranda no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), liderando uma equipa de cientistas de vários institutos norte-americanos. Numa conferência TedX, explicou que, para superar essa dificuldade, era necessário sincronizar as imagens de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo. Para reconstruir o quebra-cabeça, seria preciso criar um algoritmo para excluir parasitas e extrapolar as áreas perdidas.

Einstein tinha razão

Três anos depois, graças ao algoritmo criado por Katie Bouman, confirmou-se a teoria desenvolvida por Albert Einstein, há mais de um século.

"Um buraco negro é um objeto celeste muito, muito distante de nós, e muito compacto", explicava Katie Bouman num comunicado divulgado em 2016. O ano passado, em junho de 2018, Bouman e três outros investigadores reuniram-se numa pequena sala na Universidade de Harvard, para perceber se o código que haviam desenvolvido poderia tornar visível o invisível. "O anel apareceu tão facilmente no monitor, foi incrível! Katie Bouman disse à revista Time , que teve que manter o segredo, mesmo da sua família, durante vários meses.

Após a difusão da imagem do buraco negro pela Event Horizon International, Katie Bouman publicou no Facebook uma foto tirada quando fez a primeira reconstrução: "Eu a olhar, incrédula, para a minha primeira imagem de um buraco negro", escreveu.

No Twitter, um laboratório de investigação do MIT postou duas fotografias lado a lado: uma de Katie Bouman em frente aos discos rígidos com os dados necessários para reconstruir o buraco negro; a outra de Margaret Hamilton em 1969, com a pilha dos códigos de programação que a sua equipa no MIT produziu para o programa Apollo, enviando assim o homem à lua.

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