Portugueses em consórcio de milhões

O Instituto Superior Técnico (IST) integra consórcio europeu para projeto de energia de fusão nuclear.

O Instituto Superior Técnico (IST) vai integrar o consórcio europeu que ganhou um contrato de 100 milhões de euros, considerado o maior contrato de robótica realizado até à data no campo da energia de fusão nuclear, foi hoje divulgado.

Com a colaboração dos dois laboratórios de investigação Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) e Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), a investigação portuguesa vai participar na construção de sistemas manipulados remotamente para transporte e confinamento de cargas localizadas no reator e nos edifícios do ITER, indica a Comissão Europeia (CE) em comunicado.

A União Europeia (UE) é um dos sete membros do ITER, que será o maior reator de fusão nuclear experimental do mundo e que está a ser construído no sul de França.

O ITER será o primeiro reator a manter energia de fusão por longos períodos de tempo e também a testar as tecnologias, materiais e protocolos necessários para a produção comercial deste tipo de eletricidade.

O transporte de cargas do reator do ITER para o edifício de manutenção e armazenamento será realizado por 15 veículos guiados automaticamente (AGV), cada um com dimensões semelhantes a um autocarro (8,5 m x 3,7 m x 2,6 m) num peso total de 100 toneladas ao transportar os componentes mais pesados, refere a nota da CE.

"O IST desempenha um papel importante no consórcio, com a investigação e desenvolvimento de tecnologias de navegação para robótica móvel em instalações nucleares", destaca a CE.

A Europa será o maior acionista deste empreendimento internacional contribuindo com cerca de 45% do investimento, enquanto os outros seis membros (a China, o Japão, a Índia, a República da Coreia, a Federação da Rússia e os Estados Unidos) vão contribuir de forma equitativa com o restante valor.

Através da organização Fusion for Energy (F4E), a UE conseguiu envolver neste projeto uma rede de parceiros, incluindo o Instituto Superior Técnico, sendo "uma das principais tarefas da F4E cooperar com a indústria, as PME e os organismos de investigação europeus no desenvolvimento e fabrico de uma vasta gama de componentes de alta tecnologia e engenharia, serviços de manutenção e de apoio para o projeto ITER".

O reator, "o primeiro na história" para produzir 500 megawatts, segundo uma nota à imprensa do Instituto Superior Técnico, deverá começar a funcionar, numa primeira etapa, em 2025.

O projeto visa "demonstrar a viabilidade científica e tecnológica da energia de fusão para desenvolver uma fonte de energia segura, inesgotável e ambientalmente responsável", adianta em comunicado a representação portuguesa da Comissão Europeia.

O consórcio europeu do qual o IST faz parte é liderado pela companhia Airbus Safran Launchers e tem a seu cargo a construção, num horizonte de quatro a sete anos, dos 15 veículos guiados automaticamente.

Caberá a estes "autocarros" fazer o transporte dos componentes do reator para o edifício de armazenamento e manutenção e vice-versa, dado que o manuseamento das peças do equipamento não pode ser feito por pessoas, face à sua perigosidade.

A tarefa do IST, a iniciar-se em 2017, será desenvolver as tecnologias de navegação para robótica móvel, isto é, assegurar a movimentação e a localização, com precisão, dos veículos controlados remotamente.

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