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Samsung não faz ideia do que se passa com os Note7 que se incendeiam

O jornal New York Times afirma que a fabricante coreana ainda não sabe o que está a acontecer com os telefones topo de gama da Samsung que se incendiam. Nos testes, não conseguiu repetir a falha.

Ontem, soube-se que o recall - a chamada às fábricas para arranjos - não funcionou e que a fabricante coreana resolveu parar a produção de novos Galaxy Note 7. Soube-se também que pediu aos clientes para devolverem os equipamentos que ainda estão por aí. Serão cerca de dois milhões e quinhentos.

Sabe-se isto tudo, mas parece que não se sabe uma coisa. O porquê de tudo isto. Aquilo que está na origem da auto-combustão dos telefones.

As dúvidas são tantas que a empresa não deixa nada ao acaso. Nem mesmo nas devoluções. As precauções são tais que os kits de devolução da Samsung, como estão a ser apelidados, funcionam por camadas.

Em primeiro lugar, os equipamentos são envolvidos numa espécie de saco que os protege da eletricidade estática. Depois começam as caixas de cartão. No total são três, Uma mais pequena, onde o equipamento é colocado. Essa encaixa numa segunda, e por fim, a terceira que inclui um forro à prova de fogo.

São cuidados que vão de encontro ao artigo do jornal Times de Nova Iorque que afirma que, nesta altura, a Samsung ainda não faz ideia qual é o problema que está a afetar os equipamentos.

Segundo aquela publicação, os engenheiros da Samsung não conseguiram replicar o problema, ou seja, nos testes que têm feito (e a polémica já tem mais de um mês e meio), os telefones testados nas fábricas nunca se incendiaram.

Isto apesar da equipa montada para gerir esta crise chegar às centenas de funcionários.

Assim, foi meio às apalpadelas que se concluiu que o problema estaria nas baterias. A culpa seria de uma "pequena falha na produção" nas linhas de montagem da SDI, uma empresa afiliada da Samsung.

Mas o que aconteceu depois aponta para outras causas

No recall, a Samsung trocou as baterias de todos os equipamentos que regressaram às fábricas. Usou outro fornecedor, a ATL, mas alguns dias depois dos equipamentos serem enviados de volta para os donos, regressaram as combustões espontâneas.

Ao New York Times, Park Chul-wan, um especialista que falou com os engenheiros da Samsung sobre o caso garante que a empresa "foi demasiado rápida a culpar as baterias". O antigo diretor do centro de baterias avançadas no Instituto de Tecnologia da Coreia acredita que "o principal problema é outro". Para ele a complexidade do equipamento é tal que "numa corrida para ultrapassar o iPhone, a Samsung incluiu tanta inovação que se tornou incontrolável".

Os efeitos do #boomgate com o Galaxy Note7 já se estão a fazer sentir nas finanças da empresa. Depois de antecipar que o caso não teria grande impacto, a Samsung acaba de cortar em um terço, os lucros previstos para este trimestre.

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