Investigador usa um exoesqueleto para pôr doentes com lesão medular a sentir as coisas

Nuno Sousa, da Universidade do Minho, recebeu o Prémio Melo e Castro com um projeto que explora um exoesqueleto para reparar lesões vertebromedular.

O investigador Nuno Sousa sempre soube que queria trabalhar com ciência. Cedo, ainda na infância, começou a interessar-se por questões relacionadas com a biologia e teve "a felicidade" de ter professores que o ajudaram a encontrar o caminho. "Disseram-me que para o tipo de investigação que parecia interessar-me mais, a melhor formação de base seria medicina".

E assim foi. É médico com especialidade em neurorradiologia mas confessa "que os primeiros anos do curso não foram propriamente muito vibrantes". Valeu-lhe a investigação. "Sentia uma enorme paixão por aquilo que fazia ali", conta.

Nuno Sousa fez o percurso tradicional em medicina mas há oito anos deixou de ter uma atividade clínica clássica. Hoje é presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho e dedica-se à investigação na área das neurociências. "Eu estou do lado da investigação clínica a tentar promover um conjunto de ações de investigação que permitam descobrir novas soluções terapêuticas, melhores diagnósticos", explica.

Desta forma, o investigador sente que está também a contribuir para melhorar a saúde dos doentes e, com esse princípio, está a desenvolver uma investigação para reparar lesões vertebromedular, juntamente com uma equipa multidisciplinar da Universidade do Minho.

O projeto de Nuno Sousa olha para a medula espinhal através de dois grandes componentes. "Tem um componente que é motor - que provavelmente é mais visível para as pessoas - e tem um componente sensorial."

A equipa está a combinar tecnologias para poderem mitigar défices motores e sensoriais através de um exosqueleto que controla a atividade cerebral.

"É algo que dá a estabilidade necessária para que o indivíduo recupere alguma da sua capacidade motora. Agora o que tentamos incorporar é que sinais é que permitem que este esqueleto externo - exoesqueleto - possa ter algum controlo, dependente da vontade de quem o está a usar", explica.

A equipa faz uma leitura dos sinais elétricos do cérebro, tenta interpretar as mensagens de forma a transmitir A informação ao exoesqueleto que, por sua vez, ajudar a atenuar parte do problema motor do doente.

Além da recuperação parcial de movimentos, a equipa de Nuno Sousa está também a trabalhar na parte tátil. "São mecanismos que permitam aquele indivíduo que tem a lesão da medula espinhal, que tenha também informação sensorial e que essa informação seja relevante para ele conseguir interpretar o mundo externo."

O projeto liderado por Nuno Sousa mereceu uma distinção nos Prémios Santa Casa Neurociências 2018. A equipa da Universidade do Minho recebeu o Prémio Melo e Castro no valor de 200 mil euros.

O investigador explica que o prémio é um reconhecimento que estimula a equipa mas também é essencial para continuarem o trabalho. "Sem este apoio financeiro que o prémio traz consigo, não era possível para nós fazermos este tipo de estudos e eles teriam que decorrer a um ritmo complemente distinto, a uma ritmo muito pequenino, eventualmente sem nunca conseguirmos alcançar uma boa parte dos objetivos a que nos propusemos."

Nuno Sousa pode assim contribuir com mais uma peça para o puzzle da investigação num trabalho que nunca está acabado.

"Os bons trabalhos de investigação respondem a uma pergunta, colocam uma pequena peça do puzzle no puzzle mas abrem um conjunto vastíssimo de novas perguntas e isso, para um indivíduo com as minhas características de personalidade, é absolutamente fascinante", explica.

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