Pelo direito a desligar: França quer email do trabalho com horário predefinido

O Governo francês prepara-se para votar uma medida que restringe o assédio dos patrões aos trabalhadores, sem atenção ao seu descanso, através do correio eletrónico.

Quando a ideia veio a público, o Governo francês foi satirizado um pouco por todo o mundo. Indiferente às provocações, os socialistas franceses vão mesmo avançar com uma medida que regule a ideia de que os trabalhadores estão sempre contactáveis, através do email.

O Governo francês acredita que este problema da conexão permanente à internet é universal, e que é preciso intervir. "Todos os estudos demonstram que há mais stress relacionado com o trabalho, no presente, do que antigamente, e que é um problema constante", disse o deputado Benoît Hamon à BBC.

A proposta prevê que empresas com mais de 50 pessoas sejam obrigadas a ter um mapa com as horas - normalmente no final do dia ou aos fins de semana - em que os trabalhadores não devem enviar ou responder a emails.

"Os empregados deixam fisicamente o escritório, mas nunca largam o trabalho. Continuam presos com uma espécie de coleira eletrónica, como um cão. Os textos, as mensagens e os emails colonizam a vida de uma pessoa, até ela entrar em esgotamento. Em casa, o espaço de trabalho pode ser a cozinha, a casa de banho ou o quarto. Estamos em casa mas não estamos verdadeiramente, e isso pode ser uma ameaça aos relacionamentos", diz Linh Le, partner na Elia.

Linh descreveu o que algumas seguradoras norte-americanas fazem, ao darem aos seus trabalhadores máquinas que monitorizam o sono, pagando um bónus a quem tive 20 noites bem dormidas, de forma consecutiva.

Muitas pessoas não acreditam que a lei vá funcionar, argumentado que quem trabalha e compete com pessoas do mundo inteiro, não pode ter horas definidas para fazer contactos. "Seria um tiro no pé. A ideia é boa, mas é totalmente inaplicável". Ainda assim, admitem que é preciso regular sobre o assunto.

Os próprios criadores da medida admitem os seus limites, já que não há penalizações e é suposto as empresas cumprirem de forma voluntária.

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