Comboios da CP estão cada vez mais tempo parados

Idade do material obriga comboios a irem para reparação e manutenção. Linhas regionais são as mais afetadas.

Os comboios da CP passam cada vez mais tempo parados. A conclusão está num relatório da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, agora divulgado, sobre o estado da ferrovia em Portugal em 2017.

O documento compara a CP, empresa pública, com a Fertagus, única empresa privada de comboios para passageiros em Portugal, e a diferença é evidente.

A chamada taxa de imobilização para manutenção, reparação ou outras razões manteve-se estável na Fertagus entre 2015 e 2017 (6%), mas subiu na CP: de 14% para 19% nas carruagens; e de 12% para 16% nas automotoras e locomotivas, pelo que por dia cerca de uma em cada seis está imobilizada.

A taxa de imobilização corresponde ao número de dias que o material circulante está parado em relação ao número de dias de serviço previstos.

Regionais mais vezes parados

O relatório "destaca o aumento de 4 pontos percentuais" na imobilização global do material motor da CP nos anos em análise, numa percentagem de dias com comboios parados que devido à "idade média mais elevada" dispara no material a diesel (26%) que é utilizado apenas para o serviço regional.

Além dos regionais, também uma em cada cinco automotoras do "Alfa Pendular" passam os dias imobilizadas, algo a que "não será alheia a revisão de meia-vida iniciada na primeira unidade em 2016 e que implica uma reformulação profunda de cada um dos comboios".

Nas linhas da Grande Lisboa como Sintra/Azambuja, Sado e Cascais a imobilização chega quase aos 20%, tal como nos regionais do Minho e Douro, enquanto no serviço regional e de longo curso, Intercidades, ronda os 10%.

No topo dos comboios parados destaque para várias linhas regionais como as linhas da Beira Baixa, Alentejo e do Leste onde um em cada dois está imobilizado (52%), mas também a linha do Oeste, Beja, Algarve e Vouga, todas com 27%.

Menos comboios suprimidos; mais atrasos

O mesmo relatório da Autoridade Metropolitana de Transportes sublinha, contudo, que em 2017 diminuiu 60% o número de comboios de passageiros suprimidos, enquanto "em sentido contrário" aumentou "a percentagem de comboios com atraso, quer no transporte de passageiros, quer no transporte de mercadorias".

A Fertagus lidera os índices de pontualidade que na CP descem para 88% nos urbanos e suburbanos de Lisboa, 87% nos urbanos e suburbanos do Porto, 79% nos regionais e 54% no longo curso.

As reclamações pelo serviço ferroviário subiram 20% relativamente ao ano anterior (4.295 reclamações), com destaque para os serviços de longo-curso com uma média por passageiro "cerca de 10 vezes superior ao dos restantes serviços".

No entanto, "quando comparados com outros países da União Europeia os passageiros portugueses surgem com índices de satisfação superiores à média".

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