Como combater as fake news? Começar na escola é um bom princípio

Num momento em que as redes sociais são invadidas por notícias falsas, jornalistas e professores juntam-se para ajudar os jovens a perceber o que é verdade e o que não é. A Formação sobre Literacia para os Media arrancou este mês, em 40 agrupamentos escolares.

O projeto-piloto visa "dar instrumentos e mecanismos aos professores para melhor educarem os seus alunos", disse à Manhã TSF Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, que promove a iniciativa juntamente com o Ministério da Educação e com o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR).

"O objetivo é chegar aos alunos diretamente e usar os instrumentos que eles usam. Se só veem as redes sociais, vamos às redes sociais explicar aquilo que é notícia e porque é que eles deviam ir diretamente aos sites, da TSF por exemplo, em vez de estar a consumir informação por uma rede social, que basicamente vive à custa do trabalho que outros fazem."

A Formação sobre Literacia para os Media assume particular importância dada a complexidade do momento atual, em que os cidadãos participam no processo informativo de uma forma que não participavam antes. "Não há problema nenhum em que as pessoas vivam neste ambiente. Têm é de perceber o que é jornalismo, ou seja, o que obedeceu a um processo de verificação de factos; distinguir aquilo que é credível do resto", sublinha Sofia Branco.

Voltar ao básico

Por isso, é preciso voltar ao básico através de uma linguagem simples. É também uma forma "dos jornalistas contribuírem para uma solução e não ficarem a lamentar-se. Não ficarem apenas a dizer que isto está muito mal e que o setor está em queda, e não contribuírem para reforçar a credibilidade", acrescenta.

No fundo, é o alargamento do jornalismo à sociedade em geral. "Um jornalista tem que participar porque é um ator social. Eu não acredito num jornalismo neutro, de ver passar. O jornalismo provoca transformação social, esse é o bom jornalismo. Nós temos que fazer parte desse processo."

Exercer cidadania de uma forma divertida

A Formação sobre Literacia para os Media está inserida na disciplina de Cidadania e pretende explicar a atualidade de uma forma simples, mesmo quando é complexa. Fazer perguntas e ajudar a encontrar as respostas. Sofia Branco dá como exemplo o discurso do ódio que circula nas redes sociais: "Estão estes miúdos preparados para perceber este discurso?", enfatiza.

Explicar, formar, mas sem falsos pudores."Ninguém quer passar a mensagem: 'acreditem em tudo o que os jornalistas vos dizem'. Não é isso. Queremos explicar como é que o processo se faz e dar-lhes as ferramentas para, a partir daí, construírem uma análise e um pensamento críticos sobre aquilo que se passa. Mas, sobretudo, perceberem que a função do jornalismo é em prol da democracia", destaca. E a sala de aula é o local (indicado) para isso. Só que temos de o fazer de forma divertida, atrativa para os miúdos. Não tem que ser uma coisa cinzenta e chata."

O mundo dentro de um jornal

Para Sofia Branco, o jornal é também um manual de estudo e nesse sentido "já devia estar dentro das salas de aula há muito tempo. No jornal sempre se fez boa escrita. Pode não ser literatura, mas às vezes até é muito próximo disso. Está lá tudo, está lá o mundo". Além disso, pode ajudar a explicar aquilo a que chama de notícias falsificadas. Mas como? "Fazendo uma semelhança com as peças de roupa contrafeitas para assim perceberem o que está em causa."

O projeto-piloto decorre até abril e abrange uma centena de professores e cinco equipas com dois formadores cada. Se correr bem, a presidente do Sindicato dos Jornalistas espera que possa ser alargado a todas as escolas do país.

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