"Costura-se" a integração social em Coimbra

Para proporcionar novas competências a mulheres dos bairros sociais, a Cáritas de Coimbra, sob a alçada do projeto Criarte, está a desenvolver uma campanha de recolha e transformação de roupas.

A TSF foi ao Bairro da Rosa, onde funciona o Centro Comunitário de São José, onde encontrou 15 mulheres, que há cerca de três mês recebem formação de costura e transformam, por exemplo, velhas roupas em novos chinelos de quarto. Uma forma de alavancar competências de autonomia e empregabilidade, evitando a exclusão social.

Maria José Fernandes já teve formação administrativa e até de jardinagem. Hoje já sabe costurar. É uma das mulheres que costura e borda chinelos, que hão de ser vendidos em feiras de artesanato. "Sou uma aventureira, tudo o que seja trabalho nunca nego, porque gosto".

Reportagem de Miguel Midões

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Nunca lhe tinha passado pela cabeça fazer uma formação de costura. Mas, a verdade é que lá por casa até já existe uma nova máquina e Maria José promete dar-lhe uso. "Já tenho uma. Tinha uns conhecimentos de bainhas e de alinhavar, mas fazer sacos só aprendi aqui. Isto foi uma oportunidade que nos deram e é uma educação".

Mais jovem, Telma Carvalho também foi surpreendida com uma máquina de costura logo no início do ano. Telma é a imagem daquilo que o Criarte pretende, uma espécie de 3 em 1: recolhem roupas de quem já não as usa e dão-lhe uma nova vida. Formam uma nova competência em mulheres que se encontram desempregadas e, de certa forma, desintegradas da sociedade, e até as máquinas foram objeto de recolha de uma campanha anterior ao início da formação.

Ricardo Sousa é o psicólogo no Centro Comunitário de São José, explica que o processo de formação envolveu a pesquisa de "um produto que pudesse ser criado por estas senhoras, no sentido de cumprir o objetivo de lhes dar competências de autonomia e empregabilidade". Carla Marques é a diretora técnica e sempre que pode acompanha de perto a formação de costura. "A ideia é que elas soubessem fazer o chinelo de trapo, porque até aqui elas só sabiam bordá-lo. Há poucas artesãs que o fazem e tendem a vir a falecer e a não deixar testemunho".

Mas agora há pelo menos 15 mulheres que os fazem. Mulheres do Bairro da Rosa e do Ingote, em Coimbra, quase todas de etnia cigana. E antes dos chinelos, costuraram brinquedos para as crianças da Associação de Paralisia cerebral de Coimbra...

As máquinas de costura apareceram de uma campanha de recolha que a Cáritas de Coimbra desenvolveu já a pensar nesta formação. Além destas, a Cáritas conseguiu comprar, através de uma candidatura, uma máquina industrial e outra de corte e cose para os acabamentos.

Telma já não hesita em dizer que a costura vai fazer parte da vida dela, pelo menos num futuro próximo. "Quando começamos a ver o fruto do nosso trabalho é que despertou algum interesse em mim. Fizemos chinelos, sacos, tapetes e brinquedos para meninos com baixa visão".

Depois desta formação de costura, Telma Carvalho e outras 14 mulheres de bairros sociais de Coimbra começaram a costurar uma nova vida. "Quando era preciso uns 'arranjozinhos' nas roupas pedia a alguém da família, agora já faço eu", diz com um sorriso no rosto.

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