Segurança e insegurança nos caminhos da Guarda

O Relatório Anual da Segurança Interna revela que a Guarda foi o distrito onde a criminalidade grave e violenta mais aumentou.

Ao Carapito, uma pequena freguesia do concelho de Aguiar da Beira, não chegaram os alertas de segurança que dão conta que o distrito da Guarda é daqueles onde mais subiu a criminalidade. Aqui, conta Filipe Pinto que preside à junta de freguesia, "ainda se pode deixar a chave na porta de casa. A aldeia é segura e a GNR vai fazendo as suas rondas".

O repórter Amadeu Araújo ouviu habitantes do distrito da Guarda sobre segurança e criminalidade

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Os idosos continuam a ter bem presente a ideia de segurança. Segurança mas com cautelas, conta Isabel, que "à noite fecha bem todas as portas". Ao lado de Isabel está Filomena, que já apanhou um susto: "cheguei a casa e vi um homem, com uma mala, parecia um homem do banco. Lá gritei e ele fugiu para um carro que o esperava".

Filomena afugentou o burlão, mas "Aguiar da Beira já registou outros casos de burlas", acrescenta a vereadora da autarquia Teresa Barranha, "praticadas por pessoas que aqui ficam alguns dias e depois acabam por desaparecer".

No outro extremo do concelho, na estrada que liga a Beira ao Douro são os roubos de gado que preocupam José Muralhas: "vão levando os borregos e a GNR não consegue encontrar os larápios".

Miguel Costa, advogado com escritório em Fornos de Algodres, reconhece que "a violência associada à criminalidade está a aumentar" mas, sublinha, "o panorama ainda é de segurança". Exceção feita "à violência doméstica e aos crimes contra o património. Há também alguns crimes organizados mas nada de extraordinário".

Em 2015, na Guarda, a criminalidade geral aumentou 7,4% e a criminalidade violenta e grave cresceu 31,7% em relação ao ano anterior. De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna, foi o distrito do país onde mais aumentou este tipo de crimes. Oficialmente a GNR não comenta o relatório de segurança, mas reconhece que a Guarda regista uma "transferência da criminalidade do litoral para o interior do país".

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