Cuidadores informais queixam-se de ser ignorados. Governo contrapõe com medidas

No dia em que o Parlamento discute a proposta do Governo para os cuidadores informais, ouvem-se críticas daqueles a quem a lei diz respeito, que dizem não ter sido ouvidos durante a elaboração do novo regime.

A Associação Nacional de Cuidadores Informais considera que o Governo continua a ignorar quem cuida a tempo inteiro. No Fórum TSF, Sofia Figueiredo, presidente da Associação Nacional de Cuidadores Informais, afirmou que o projeto-piloto discutido não vai ao encontro das necessidades dos cuidadores.

"Nós pretendemos um estatuto de cuidador informal. O que o Governo anunciou foram medidas de apoio, mas essas medidas não são um estatuto", esclareceu Sofia Figueiredo.

"Estamos desde 2016, quando foi entregue uma petição, nesta luta (...). Os cuidadores não querem só subsídios. Querem proteção social, proteção laboral e proteção na saúde", reivindicou.

Sofia Figueiredo aponta, em particular, a necessidade de que a carreira tributária dos cuidadores informais seja reconhecida. "Querem colocar estas pessoas - que estão sozinhas a cuidar 24 sob 24 horas, que já não têm emprego - a pagar o seguro social voluntário?", questionou.

Em resposta, no Fórum TSF, a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, disse que a Associação Nacional de Cuidadores Informais "foi ouvida na Assembleia da República" e que "o Governo esteve sempre muito atento a todas as questões que foram levantadas".

Cláudia Joaquim garante que, na próxima fase do processo - a fase de "definição, através de portarias, das experiências-piloto e das medidas para estes 12 meses" -, os cuidadores informais terão um papel fundamental e serão ouvidos pelo Governo, para ajudar a compreender a melhor forma de atuação no terreno.

A secretária de Estado explicou, no Fórum TSF, que o Governo vai criar um novo subsídio de apoio aos cuidadores informais que não auferem remunerações.

"Os subsídios que existem atualmente dirigem-se à pessoa cuidada, numa perspetiva de fazer face aos encargos adicionais, porque existe uma situação de dependência ou deficiência. Este subsídio visa fazer face àquelas que são as situações onde pode haver maiores dificuldades financeiras, quando existe no agregado familiar um cuidador informal que se dedica a tempo inteiro à pessoa cuidada", explicitou Cláudia Joaquim.

Entre as propostas do Governo estão ainda o acompanhamento ao cuidador informal, por parte de profissionais da Saúde, para que este "desenvolva competências nos cuidados a prestar à pessoa cuidada", mais apoios da Segurança Social, a referenciação na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e o "o encaminhamento para o serviço de apoio domiciliário ou para respostas sociais, como os lares de idosos, para descanso do cuidador".

*com Manuel Acácio e Nuno Domingues

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados