De Cuba para Leiria. O conservatório que prepara campeões de ballet

Durante o verão, o Conservatório de Annarella Sánchez recebe mais de 300 alunos para cursos intensivos para treinarem o método cubano de ballet.

Estão todos vestidos a rigor para os ensaios. Elas de cabelo apanhado, collants, pontas e tutus. Eles de calções e sapatilhas. Os alunos vêm de todo o lado para os cursos de verão do Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sánchez.

Catarina de Castro é de São Paulo no Brasil e veio para Leiria aprender novos passos e aperfeiçoar outros. Depois do verão, fica mais 12 meses. Tem 12 anos. "Na verdade, de um dia para o outro, mudou a minha vida. E a minha mãe ficava: vamos todo o mundo para Portugal", conta. A família muda-se para Leiria para que Catarina possa estudar no conservatório. "Eu venho com a minha mãe, meu irmão, meu pai e meu cachorro".

Bárbara Dias, 15 anos, também é brasileira. Aproveitou o verão para fazer um curso numa escola que vem ganhando fama, sobretudo nas redes sociais. "Ouvi dizer que era uma escola que surpreendia, sempre com coisas novas, sempre incentivando os alunos dela, trazendo trabalhos lindos que lá longe do Brasil a gente conseguia ver. Era inspiração".

No futuro, quer ser bailarina numa companhia. "É o meu sonho. Venho até Portugal para fazer um curso. Eu quero cada vez mais enriquecer o meu aprendizado".

Nos últimos dias, o Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sánchez em Leiria tem estado em destaque devido aos mais recentes prémios arrecadados por um bailarino da escola.

António Casalinho, 15 anos, venceu vários prémios do Concurso Internacional de Ballet de Varna, incluindo a medalha de ouro e o prémio de bailarino mais promissor.

Casalinho é a vedeta da escola mas não é o único bailarino do conservatório a conseguir prémios internacionais. A escola tem trazido para Leiria muitas distinções, chamando a atenção de bailarinos e professores estrangeiros.

Os mais de 300 alunos dos cursos de verão vêm um pouco de todo o mundo. Todos querem aprender mais sobre o método cubano, o estilo que o conservatório de Annarella segue.

O legado da dança cubana

De Cuba chegam vários professores que vêm validar e ensinar a técnica cubana. É o caso de Niurka de Saa. "Para mim é muito gratificante porque é a primeira vez que venho à escola da Annarella e encontrei um bom trabalho. Trabalho com a metodologia cubana e vê-se um nível artístico e técnico bastante elevado, dá gosto trabalhar com os estudantes".

O método cubano foi criado por três bailarinos que fundaram o Ballet Nacional de Cuba. Os irmãos Fernando e Alberto Alonso, juntamente com Alicia Alonso, mulher de Fernando, desenvolveram um estilo de ballet clássico com a experiência de traziam de outras escolas.

"Eles adaptaram às nossas características físicas, ao nosso clima, à nossa idiossincrasia, a nossa forma de mover-nos. É uma adaptação às nossas características", explicou Niurka de Saa.

Das 08h às 20h

Margarita Fernandes anda por cá todo o ano. É filha de Annarella Sanchez, a diretora da escola. Dança desde os dois anos. Faz as honras e explica que, de manhã, têm aulas no ensino regular, numa escola privada, mas a tarde fica reservada à dança. "Nós estamos na escola académica até às 13h30. Almoçamos todos aqui em cima na escola. Depois, mais tarde, das 14h30 até às 20h30, temos aulas de ballet contemporâneo, caráter e outras vezes também temos jazz, vários estilos".

A escola tem muitos portugueses mas também estrangeiros que, desde cedo, querem dominar a técnica. "Temos várias pessoas de vários países. Temos meninas com 12 ou 13 anos que vêm sozinhas para casa de outros familiares, ou para viverem sozinhas simplesmente porque querem aprender", conta Margarita.

São treinados para irem mais longe mesmo quando as pernas já cansam. "Há pessoas que têm uma ideia um pouco errada, acham que nós somos infelizes. Mas para mim, quando uma pessoa faz o que gosta, nunca está cansada. Tem tempo para tudo", remata Margarita de sorriso no rosto.

A cubana Annarella Sanchez veio para Portugal por amor. Escolheu Leiria para viver e, contra todas as probabilidades, criou na cidade um conservatório que tem apresentado bons resultados em concursos internacionais.

A diretora acredita o sucesso da escola pode estar relacionado com a oferta abrangente de aulas e acompanhamento. "Penso que as pessoas vêm à procura de um lugar onde possam ter tudo. Têm aulas de repertório, têm aulas de técnicas de dança clássica, contemporâneo, caráter, preparação física. Depois, ainda damos uma atenção personalizada aos alunos que têm a mis talento ou que queiram seguir a carreira de bailarinos".

A professora Diana Pinto começou na academia como aluna aos 10 anos. Hoje treina os mais novos em ballet clássico e contemporâneo. Explica que o sucesso da escola se deve a "muito trabalho, muita dedicação, muitas horas de planeamento, de técnicas de coreografias, de horários com escolas, com pais. E sempre para a frente. Sempre com uma visão acima".

O bailarino Francisco Gomes, 15 anos, garante que a escola é uma honra para quem é de Leiria. "A professora Annarella criou aqui uma academia, que depois se tornou num conservatório e para onde muitas pessoas do mundo vêm. Para nós, leirienses, é um orgulho".

Annarella Sanchez anuncia que quer ir além da participação em concursos internacionais e criar uma companhia de dança em Leiria. "Este ano vamos começar a nossa programação no teatro em Leiria e espero conseguir teatros em Lisboa. Se calhar o próximo passo, não é ir tanto para muitos concursos, mas dar aos estudantes um trabalho, uma companhia de dança clássica aqui em Portugal".

Durante o ano, o conservatório conta com cerca de 80 alunos de Portugal mas também da Argentina, Estados Unidos da América, Grécia, Itália, Brasil, Espanha, Macau e África do Sul.

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