Direitos Humanos: "Portugal é exemplo internacional pela forma como superou a crise"

A avaliação é feita pela Human Rights Watch homenageada esta quinta-feira na iniciativa Terra Justa. A organização tem, no entanto, expectativas altas em relação a Portugal, nomeadamente enquanto mediador na cena internacional.

A Human Rights Watch (HRW), organização que é homenageada esta quinta-feira pela organização do Terra Justa, em Fafe, considera que o Portugal é "líder internacional" na forma como superou a crise financeira, sem recurso a medidas extremas e um exemplo de esperança no que toca ao acolhimento de refugiados. Mas tem expectativas mais altas em relação a Portugal, nomeadamente enquanto mediador na cena internacional, tanto na Europa como nas Nações Unidas.

Sem representação em Portugal, a Human Rights Watch considera que não há razões de preocupação em matéria de direitos humanos mas Bruno Ugarte, diretor executivo adjunto para a advocacia daquela organização, espera mais do nosso país.

"As nossas expectativas relativamente a Portugal são elevadas em relação ao papel positivo que pode desempenhar no que diz respeitos aos direitos humanos. Nomeadamente como um país que, esperançosamente, é capaz de proporcionar um ambiente mais acolhedor na União Europeia na receção de refugiados e de pessoas que procuram asilo e, nesse sentido, poder trabalhar ao lado de Angela Merkel, Emmanuel Macron, da Suécia e de outros países da Europa que estão dispostos a travar os Orbáns, os Kaczyskis, os Zemans e os outros, que estão a tentar tornar a Europa numa fortaleza, e não numa comunidade de valores, que é acolhedora", afirmou Bruno Ugarte em entrevista à TSF.

O diretor executivo adjunto da HRW considera que em algumas matérias Portugal é mesmo um exemplo internacional. "Se há alguma coisa em que Portugal é líder na comunidade internacional - e acho que Portugal pode superar-se a si mesmo não só porque é um país tolerante e uma democracia - é na forma como superou a crise económica e financeira de 2007/2008, sem recorrer a qualquer tipo de políticas extremistas. Deu uma lição a muitos países na Europa que tiveram um desempenho muito mau a ultrapassar a crise financeira", elogiou.

Bruno Ugarte acredita que Portugal tem potencial enquanto mediador na cena internacional, quer seja através da União Europeia, ou como membro das Nações Unidas. Sobre o secretário-geral português da ONU, aquele responsável considera que António Guterres tem uma "voz ativa" mas desafia a uma liderança mais interventiva, após o "falhanço" do Conselho de Segurança na abordagem ao problema da Síria.

"Uma vez que a Rússia utilizou o seu veto doze vezes, seis das quais para evitar investigações e a criação de um mecanismo independente de investigação sobre o recurso a armas químicas na Síria, entendemos que caberia ao secretário-geral, António Guterres agir segundo um artigo pouco conhecido do público em geral, o artigo 99 da Carta das Nações Unidas, que permite usar a sua autoridade para estabelecer um mecanismo de atribuição de responsabilidade, capaz de identificar a parte ou partes que possam estar a usar, ou possam usar no futuro, armas químicas na Síria", defende Bruno Ugarte, lembrando que não seria a primeira vez que tal aconteceria, recordando o "precedente estabelecido por um dos seus antecessores, concretamente Javier Perez de Cuellar que nos anos 80 estabeleceu um mecanismo que, na realidade, promovia a responsabilização na guerra do Irão/Iraque quando foram utilizadas armas químicas".

A HRW acompanha o aumento da tensão na Síria, mas também a situação no Sudão do Sul, na República Democrática do Congo, no Iémen ou na Birmânia. O Mundo, concluiu o dirigente da Human Rights Watch, está cheio de vilões: "Um que é francamente único é o caso da Coreia do Norte, porque é a sociedade mais fechada em que podemos imaginar. Também porque tem esta forma única de punir as pessoas há gerações, onde não há acesso, não há atribuição de responsabilidade, não há justiça", rematou Bruno Ugarte.

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