CDS acusa Governo de conduta "errática e desonesta" com os professores

O CDS-PP prometeu questionar já o primeiro-ministro sobre a contagem do tempo de serviço dos professores.

"Depois ter aprovado no Orçamento do Estado uma abertura para determinar o tempo e a forma como ia ser calculado o descongelamento, depois de o PS aprovar um projeto de resolução dos Verdes a dizer que todo o tempo seria contado (...), o ministro que disse que defenderia radicalmente os professores é o mesmo ministro que retira a proposta em cima da mesa", criticou a deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa, em declarações aos jornalistas no parlamento, depois de ter manifestado esta posição no Fórum TSF.

Para o CDS-PP, a forma como o Governo geriu as negociações "deixa muitas preocupações e torna muito pouco credível a sua palavra", alertando para a instabilidade que a ameaça de greves poderá ter nos exames nacionais e no acesso ao ensino superior.

"Não deixaremos de questionar o ministro da Educação e o primeiro-ministro já hoje no debate quinzenal", assegurou Ana Rita Bessa, criticando a facilidade com que o ministro Tiago Brandão Rodrigues "deu o dito por não dito".

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, confirmou na segunda-feira que os professores não vão ter contabilizado qualquer tempo de serviço congelado por terem falhado as negociações com os sindicatos.

A ausência de acordo "significa ficar tudo como estava", disse o ministro da Educação aos jornalistas, no final de um dia de reuniões com os sindicatos de professores.

O ministro confirmou, assim, que os professores não vão ver contabilizados para efeitos de progressão na carreira os nove anos, quatro meses e dois dias que reclamam desde o início das negociações e que o Governo retirou de cima da mesa a proposta para contabilizar cerca de dois anos e nove meses, colocando o ónus da decisão naquilo que considerou ser uma falta de flexibilidade por parte dos sindicatos para aproximar posições.

À saída da reunião com o ministro da Educação, também na segunda-feira, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, adiantou que, perante o cenário de "chantagem", os professores admitem avançar com uma greve aos exames nacionais, às aulas e a tarefas burocráticas como o lançamento de notas.

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