Faltam às escolas 3400 funcionários para que funcionem normalmente

Denúncia é dos diretores escolares, que pedem um investimento "definitivo" nos recursos humanos do ensino público.

A lei que define o número de funcionários a trabalhar nas escolas é irrealista. A denuncia é feita por 83% dos diretores escolares, num inquérito feito pela Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

As regras, defendem, não têm em conta o tamanho das escolas e os alunos que precisam de acompanhamento permanente. Pelas contas dos diretores, seriam precisos mais 3400 assistentes operacionais para que as escolas funcionassem normalmente.

O presidente da associação, Filinto Lima, explica que as regras que definem o numero de funcionários contratados estão desajustadas.

"A atual fórmula da portaria, que prevê os rácios, é uma fórmula irrealista. Não prevê, por exemplo, a volumetria dos edifícios e a elevada área edificada. Não prevê, por exemplo, a necessidade de acompanhamento permanente de alunos abrangidos pelo decreto-lei mais conhecido como o da 'escola inclusiva'. Não prevê, por exemplo, as escolas que tenham ensino noturno ou que tenham desdobramento de horários", explica.

Nas 200 escolas que responderam ao inquérito da associação, faltam cerca de 850 assistentes operacionais num universo de 7300. Os números revelam ainda que um em cada dez funcionários escolares está de baixa médica.

A partir desta amostra, que corresponde a um quarto dos estabelecimentos de ensino, a associação conclui que faltam 3400 funcionarios em todo o país para as escolas funcionarem normalmente.

"Nós sabíamos que faltavam, nas escolas públicas portuguesas, centenas de funcionários. Não sabíamos o número ao certo. Agora temos um número que, se não é certo, é muito aproximado", revela Filinto Lima, antes de explicar que o problema da falta de pessoal estende-se também aos assistentes técnicos, que trabalham nas secretarias.

"Era importante que as pessoas que decidem tivessem consciência das atitudes que estão a tomar. É necessário, de uma vez por todas, investir de forma definitiva nos recursos humanos das escolas públicas portuguesas", reforça o presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, isto quando faltam quatro meses para o fim do ano letivo.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de