Educação

Currículos das escolas. Saiba o que vai mudar

As escolas não vão poder acabar com disciplinas consideradas "nucleares", mas vão poder criar novas, relacionadas, por exemplo, com a região em que se inserem. Não pode haver aumento do horário.

No Fórum TSF, o secretário de Estado da Educação detalhou os planos do governo para o reforço da autonomia escolar. Esse reforço prevê que as escolas possam definir, sozinhas, 25% dos currículos.

João Costa começa por lembrar que, nos últimos anos, foi revogado o perfil do aluno do ensino básico e a escolaridade obrigatória foi alargada até ao 12º ano.
Duas mudanças que obrigam a que seja definido, com clareza, o que devem saber todos os alunos, quando chegam ao fim do percurso escolar.

Há capacidades que, hoje em dia, são obrigatórias, diz o governante. Saber, por exemplo, se o estudante tem "literacias tecnológicas ou digitais, que competências sociais é que desenvolveu, que nível de literacia científica é que atingiu".

Definido este "perfil", há que perceber qual o contributo que cada disciplina pode dar. A partir daqui, será possível estabelecer um conjunto de matérias "nucleares", que serão obrigatórias para todos.

E é daqui em diante que entrará "em cena" o reforço de autonomia proposto pelo governo.

Interdisciplinaridade, território e identidade

As escolas não podem acabar com nenhuma das disciplinas consideradas fundamentais, mas poderão criar tempos letivos em que uma ou mais disciplinas se cruzem, por forma a cumprir determinadas competências; ou mesmo criar novas, tendo em conta, por exemplo, o território em que se inserem.

João Costa sublinha a importância da construção e afirmação de uma identidade, que não se faz "sem pensar no território". Assim, será possível a uma escola da região de Setúbal criar uma disciplina relacionada com a pesca; ou a uma outra, do Pinhal Interior, definir matérias que tenham a ver com a floresta.

E será que isso implica um aumento da carga horária? O governante assegura que não, uma vez que a ideia é gerir melhor o tempo das aulas.

E dá o exemplo de uma escola em que a maioria dos alunos não tinha o Português como língua materna mas, que ainda assim, se preparava para estudar um autor medieval, que não iriam sequer conseguir compreender.

João Costa sugere que, em casos como este, o tempo de aula de Português possa ser alargado, para que os alunos possam ganhar capacidades na língua do país onde vivem, garantindo também competências para completar, com sucesso, o seu percurso escolar.