Avaliações psicológicas travam contratação (urgente) de funcionários para as escolas

Contratação de mais de mil auxiliares tem exigências inéditas que os diretores não sabem como cumprir.

A prometida contratação de mais de mil funcionários não-docentes vai obrigar as escolas a aplicarem provas de conhecimentos e a fazerem uma avaliação psicológica a cada um dos candidatos. O procedimento é inédito - no passada bastava uma avaliação curricular e eventualmente uma entrevista.

A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) explica à TSF que já foram confrontados com muitas dúvidas de colegas que receberam a autorização do Governo para abrir o concurso, mas que não sabem como cumprir as novas exigências e têm receio de ver o concurso anulado.

A informação do Ministério da Educação que tem chegado às escolas, a que a TSF teve acesso, diz que cada concurso (aberto por cada escola ou agrupamento, mesmo que para apenas uma ou duas vagas) tem ser publicado em Diário da República, com a possibilidade, tendo em conta a "urgência da contratação", de solicitar "celeridade" nessa publicação, bem como na lista final de seleção.

Além das duas publicações em Diário da República, o Ministério avança dois "métodos de seleção obrigatórios": uma "prova de conhecimentos" e uma "avaliação psicológica".

O presidente da ANDAEP admite que os diretores ficaram espantados com as novas exigências.

Filinto Lima sublinha que "até parece que são pessoas que vêm ganhar muito dinheiro, mas não, vão ganhar o salário mínimo da função pública", 635,07 euros.

O representante dos diretores diz que o Governo "que tanto fala no Simplex" está a complicar com "burocracia", admitindo que tudo isto vai atrasar a urgente contratação de funcionários para as escolas.

"Não temos qualquer matriz para fazer a prova de conhecimentos nem nenhuma orientação para a realização da avaliação psicológica", detalha.

A informação do Ministério da Educação que está a chegar às escolas acrescenta ainda que a avaliação psicológica tem de ser feita pelos funcionários que trabalham nas escolas, algo que levanta ainda mais problemas pois os próprios estão a levantar dúvidas se podem fazer essa tarefa.

Filinto Lima afirma que esperam, até pelos pedidos de informação que já teve, muitos candidatos a estas vagas que mesmo com um ordenado baixo têm a vantagem de dar um contrato sem termo no Estado.

Tudo conjugado e os diretores temem que os concursos para contratar mais de mil novos funcionários encham as escolas de burocracia e papelada, pelo que se preparam para enviar pedidos de esclarecimento ao Ministério da Educação.

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