Educação

É o fim para um curso histórico na Universidade de Évora

O curso de arquitetura paisagista foi criado pelas mãos de Ribeiro Telles, mas nem a importância histórica, nem as personalidades de referência têm sido suficientes para atrair alunos. A Universidade de Évora espera reabrir o curso, mas a decisão agora tomada ainda está a ser digerida.

Nos últimos anos o número de alunos tem vindo a diminuir. Em 2015 foram 12, e em 2018 foram apenas dois. Mais de 40 anos depois de Gonçalo Ribeiro Telles criar o primeiro curso em arquitetura paisagista, a Universidade de Évora decidiu que para o ano não vai abrir vagas para a licenciatura, devido ao número reduzido de candidatos.

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Em declarações à TSF, Ana Costa Freitas, reitora da Universidade, diz que não faz sentido manter a licenciatura. "É sempre difícil a decisão de suspender um curso. Principalmente um curso como o de arquitetura paisagista, que tem 40 anos. Ver um curso que era uma bandeira da Universidade de Évora arrastar-se como aconteceu nos últimos anos... No ano passado teve zero alunos na primeira fase do concurso nacional de acesso [ao ensino superior]. Também é difícil assistir a isso, portanto temos que pesar os prós e os contras, e eu penso que um ano para refletir sobre a estratégia para recuperar a credibilidade, a qualidade e a atratividade do curso é importante."

A reitora explica que solicitou uma avaliação do que tem de ser alterado, para um dia o curso voltar a funcionar. "Pedi ao departamento de paisagem, ambiente e ordenamento do território uma reflexão sobre o que é que terá motivado esta quebra de alunos e o que é podemos fazer para inverter este ciclo. O que não faz sentido numa instituição do ensino superior é não existir qualquer alteração numa formação em que vemos o interesse a decrescer anualmente. Isso é que é uma estratégia errada."

A notícia foi avançada, esta segunda-feira, pelo jornal Público, que cita Aurora Carapinha, professora responsável pela licenciatura, que foi a aluna número seis do primeiro curso em 1975, e que recorda que Ribeiro Telles levou o bacharelato para Évora porque em Lisboa não havia interesse. Foi a maneira que o arquiteto encontrou para criar vontade política para o reconhecimento da profissão.

Aurora Carapinha lamenta o encerramento da licenciatura, lembra que os arquitetos paisagistas não são meros desenhadores de jardins, mas lutam para para dar qualidade de vida aos cidadãos e uma ideia de direito à cidade.

Além da Universidade de Évora, o curso de arquitetura paisagista é oferecido nas Universidades de Lisboa, Porto, Algarve e Trás-os-Montes e Alto Douro.

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