Universidade do Algarve

Não basta fazer diagnósticos. Estes alunos de Medicina também aprendem a ser simpáticos

No curso de Medicina da Universidade do Algarve, os estudantes são incentivados a terem competências comunicacionais e a perceberem as diferentes culturas dos pacientes que podem aparecer no seu hospital.

Perceber se para uma mulher muçulmana é confortável despir-se frente a um médico ou se é normal uma pessoa de etnia cigana ir para o hospital com toda a família. São exemplos que se aprendem no curso de Medicina da Universidade do Algarve.

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O curso, que completa agora 10 anos, tenta formar médicos que consigam perceber a cultura do doente que têm à sua frente e, por isso, os alunos começaram a ter seminários de "competência cultural médica".

Num dos seminários, Ana Pinto Oliveira, professora na Universidade do Algarve, levou até aos alunos um membro da etnia cigana para que este explicasse a sua cultura e como é vivida a doença na sua comunidade. O seminário teve tanto êxito - "a aula era para ter duas horas e teve quatro" - que a docente decidiu levar outros exemplos até aos alunos.

"Os nossos seminários vão desde etnia cigana, jeovás, cultura islâmica, como pessoas vulneráveis como sem abrigo, com HIV Sida, toxicodependentes ou refugiados", explica. O objetivo é que os médicos formados nesta universidade tenham sensibilidade e compreendam que não podem interagir da mesma forma com todos os pacientes.

Sofia Gersão, aluna do último ano do curso de Medicina, considera que estas aulas são uma forma de alerta para que os futuros médicos comecem a estudar e pesquisar outras formas de ser, outras culturas que podem aparecer-lhes, um dia, no seu gabinete médico.

Estas são apenas algumas das muitas aulas em que os alunos são incentivados a melhorar as suas capacidades comunicacionais. Na Universidade do Algarve, desde o 1.º ano do curso, os estudantes são ensinados a ser simpáticos, cordiais e a explicar tudo ao paciente.

E, se num exame da faculdade, perante um paciente, o aluno não cumprimenta o doente nem adota todos estes procedimentos, pode chumbar, mesmo que faça o diagnóstico certo. "É bem possível", diz Sofia a rir. Porque este é um curso que não quer apenas formar médicos que façam os diagnósticos corretos. Pretende também formar seres humanos de excelência.

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