sexualidade

Pergunta sobre orientação sexual pode causar "angústias" às crianças

Pedopsiquiatra alerta que menores podem ficar transtornados quando colocados perante factos ou pensamentos que ainda não têm capacidade para gerir.

A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos diz, em declarações à TSF, que os direitos e a dignidade das crianças não foram respeitados no inquérito distribuído aos alunos do 5.º ano de uma escola do Porto, no qual as crianças devem responder à questão "sinto-me atraído/a por homens, mulheres ou ambos?".

"Miúdos desta idade podem, já eles próprios, sentir algumas angústias em relação à sua identidade sexual", alerta a pedopsiquiatra, acrescentando mesmo que tem conhecimento de crianças com menos de 10 anos que dizem que "não se sentem com o sexo que lhes foi atribuído e que querem mudar de sexo".

Ana Vasconcelos alerta que mesmo que as crianças não percebam bem o que se passa consigo, é um assunto que "já os inquieta" e que pode causar transtorno porque "são postos perante factos e pensamentos que podem não ter capacidade para saber gerir bem. Não têm a parte cognitiva nem emocional que, a partir dos 18 ou 20 anos, a pessoa já pode ter para perceber esses assuntos."

A pedopsiquiatra defende que este tipo de acompanhamento poderia ser realmente efetuado, mas em relação a adolescentes. Ainda assim, "teria que ser realizado por pessoas que percebam bem a mente de um adolescente. Se existe um adolescente que está numa aflição terrível, por ter muitas angústias em relação ao seu género ou à sua escolha sexual, isto pode causar-lhe uma aflição muito grande, que pode ter muita dificuldade em expressar."

CDS quer explicações

O CDS questionou esta quarta-feira o ministério da Educação acerca do "objetivo" do inquérito entregue aos alunos do quinto ano de uma escola do Porto, acerca das suas orientações sexuais.

Cecília Meireles, deputada centrista, considera que o questionário é "manifestamente despropositado", constituindo uma "violação da intimidade das crianças".

O CDS defende que é "imprescindível" garantir que o questionário não é distribuído a mais crianças noutras escolas, não descurando a necessidade de identificar as escolas em que terá sido distribuído e os autores do questionário "despropositado".

O partido pede que seja dada uma explicação pública, garantindo que só se a mesma for "completa, convincente e satisfatória" deixará que o assunto fique encerrado.

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