Vai o Governo britânico continuar a pagar propinas a portugueses depois do Brexit?

Nunca tantos estudantes escolheram o Reino Unido para tirar um curso superior, mas na eminência do Brexit surge a dúvida se podem continuar a contar com propinas pagas.

O Governo britânico não vai cortar o financiamento das propinas para jovens da União Europeia que queiram estudar no Reino Unido. Pelo menos para já.

A garantia é do embaixador do Reino Unido em Portugal, que assegura que o chamado Student Finance se mantém no ano académico de 2019/2020, mesmo em caso de hard Brexit nos próximos meses.

"Posso confirmar que esse apoio se vai manter mesmo em caso de uma saída sem acordo" com União Europeia, afirma Chris Sainty em declarações à TSF.

O Governo britânico assegura que vai continuar a suportar os estudantes que já estão no Reino Unido e ainda não concluíram o curso e aqueles que ingressem a universidade no próximo ano letivo. O mesmo se aplica ao financiamento na área da investigação.

Nos anos seguintes, depois do Brexit está tudo em aberto. "A questão ainda está em consideração", afirma o embaixador.

Chris Sainty lembra que as inscrições para o ano letivo 2020/2021 só arrancam em setembro deste ano. "Vamos assegurar que os alunos e as instituições têm as informações de que precisam com antecedência".

Theresa May "tem sido clara em afirmar que o Reino Unido pretende continuar aberto ao talento global", nota ainda o embaixador.

"Os estudantes, funcionários e investigadores da União Europeia dão um contributo importante para a nossa educação, economia e sociedade. Queremos que essa contribuição fundamental continue e estamos confiantes de que isso acontecerá."

Estudar sem pagar?

Até agora, os estudantes portugueses e de outras nacionalidades dentro da União Europeia beneficiam do Student Finance para estudar em universidades britânicas.

É um empréstimo, mas pode acabar por se tornar num financiamento a fundo perdido, explica à TSF Francisco Lourenço. O Governo britânico paga as propinas na integra e os estudantes só devolvam o dinheiro se atingirem um determinado patamar salarial depois de começarem a trabalhar.

Francisco Lourenço, de 31 anos, estudou no Reino Unido com este apoio. Agora trabalha na OK Estudante , empresa que se dedica exclusivamente à orientação de alunos portugueses que queiram ingressar numa universidade britânica, desde o processo de candidatura à vida no Reino Unido, exames de inglês e requerimento do Student Finance.

"No futuro, se o aluno que recorreu a esta ajuda vier a ganhar um salário superior a 25 mil libras anuais [cerca de 29.200 euros] começam lentamente a pagar uma pequena parcela desse montante de volta ao Governo britânico", explica.

Caso fiquem a trabalhar em Inglaterra é feita uma retenção na fonte. Caso regressem ao país de origem todos os anos os antigos estudantes são notificados para enviar a sua declaração de IRS ou os três últimos recibos de vencimento. Se excederem o valor estipulado, recebem um IBAN para fazerem uma transferência bancária.

Passam então a pagar anualmente 9% do valor que recebem a mais do que o teto das 25 mil libras. Por exemplo, se um antigo estudante recebe um ordenado correspondente a 26 mil libras anuais terá de passar a pagar 90 libras por ano até atingir o valor do empréstimo com juros.

Se por, outro lado, nunca atingirem esse patamar salarial, passados 30 anos a obrigação extingue-se e os ex-alunos "não terão de pagar nada", garante Francisco Lourenço. A dívida também fica saldada, no mesmo prazo, caso os ex-estudantes tenham começado a devolver a verba mas fiquem desempregados ou passem a receber um salário mais baixo e tenham deixado de pagar.

"Quem dera aos nossos alunos conseguirem pagar tudo, é sinal que estariam a ganhar bem", comenta. Mas com este apoio "pessoas de qualquer tipo de backgroud socioeconómico podem tirar uma licenciatura sem qualquer custo no imediato".

Além disso, como as universidades apostam num tipo de ensino prático e horários flexíveis, é fácil conciliar os estudos com um trabalho em part-time para assegurar o alojamento e restantes despesas.

Mais do que a reputação de tirar um curso superior numa universidade britânica, estudar no estrangeiro foi para Francisco Lourenço uma experiência de vida memorável. O convívio com pessoas de todo o mundo "abre-nos a mente", considera.

Francisco Lourenço conseguiu emprego mal terminou o curso e tornou-se bilingue, mas sempre quis regressar ao país de origem e depois de dois anos a trabalhar no Reino Unido assim fez. Ainda não devolveu a totalidade das propinas que o Governo britânico lhe pagou.

Mais de 460 mil estudantes, incluindo mais de cinco mil portugueses, escolheram o Reino Unido para estudar no ano letivo de 2017/2018, o número mais elevado de sempre.

A próxima fase de candidaturas para o ano 2019/2020 termina a 30 de junho.

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