Livros digitais. Editoras preparadas mas escolas nem por isso

A Porto Editora duvida que as escolas estejam preparadas para o uso exclusivo de livros digitais. Pais, professores e ambientalistas aplaudem a lei promulgada ontem pelo Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa promulgou na terça-feira o diploma da autoria do Partido Ecologista Os Verdes, para incentivar a desmaterialização dos manuais escolares, abandonando de forma progressiva os materiais em papel.

Contactado pela TSF, Paulo Ferreira Gonçalves, da Porto Editora, que faz parte da Associação Portuguesa de Editores Livreiros (APEL), considera que as editoras estão preparadas para o digital, mas as escolas não estão aptas para esse passo tecnológico.

Paulo Ferreira Gonçalves lembra que há pelo menos dez anos que os conteúdos dos manuais escolares estão disponíveis em formato digital na Porto Editora, mas sugere que se olhe com precaução para as experiências já feitas noutros países, que desaconselham o uso exclusivo dos conteúdos digitais.

Paulo Gonçalves diz que em países onde se avançou para o ensino digital como único suporte de conteúdos revelaram-se outras dificuldades que comprometem o desenvolvimento das crianças.

Quanto ao presidente da associação ambientalista Quercus, João Branco considera a legislação positiva porque permitirá poupar "muitos recursos" naturais. Haverá "uma pressão muito menor sobre o planeta", porque deixar-se-á de gastar "milhares ou mesmo milhões de toneladas de papel por ano", disse à agência Lusa.

Para João Branco, a legislação também constitui "um passo a seguir às tentativas que têm sido feitas de reutilização de manuais escolares, que tiveram algum impacto mas nunca conseguiram atingir grandes objetivos".

A medida também é apoiada pelo presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão, afirmando que "vai ao encontro" do que tem sido a preocupação dos pais. "Sempre defendemos que as famílias devem ter a possibilidade de optar por manuais, por conteúdos, pela reutilização, pelo suporte digital", disse Jorge Ascensão à Lusa.

Professores e escolas também consideram positivo o recurso a manuais escolares digitais, mas alertam que é necessário dotar as escolas com as ferramentas necessárias, uma vez que o equipamento tecnológico existente está obsoleto.

"Esta medida é muito bem-vinda" e "será "muito bem acolhida pelas escolas", a questão "é como se vai implementar este processo", disse à agência Lusa a presidente da Associação Nacional de Professores. Paula Carqueja observou que "há muito equipamento tecnológico nas escolas, mas que está obsoleto".

Esta posição é partilhada pelo presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, que também considera a "medida positiva", mas defende que "é preciso haver um investimento nas novas tecnologias". "Já há manuais digitais desde 2013, mas o que não há nas escolas é computadores e tablets suficientes para serem usados" pelos alunos, disse.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de