Maioria dos alunos universitários acha normal (e até aceitável) copiar num exame

Maior estudo sobre o assunto ouviu alunos de 101 faculdades e politécnicos do país. Autores falam numa espécie de cultura nacional de fraude académica.

Perto de 52% dos alunos do ensino superior português (licenciaturas e mestrados integrados) já copiaram dos colegas e cerca de 40% já usaram cábulas.

Paulo Peixoto, um dos responsáveis pelo estudo que é apresentado esta terça-feira em livro, no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, explica que além de comum, a fraude académica não é normalmente condenada pelos alunos.

O estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), inquiriu 7.292 alunos e o investigador acrescenta que concluíram que os jovens acham "normal" a fraude académica, nomeadamente porque existe a ideia de que "em muitos casos o êxito só é alcançável dessa forma".

Nuno Guedes entrevista um dos autores do estudo e livro sobre a fraude académica no ensino superior em Portugal.

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A investigação permitiu ainda perceber que a fraude já é frequente e "normalizada" no ensino básico e secundário, pelo que o ensino superior é apenas uma continuação de uma tendência que começa mais cedo.

Paulo Peixoto explica ainda que a fraude só é censurada pelos alunos quando é feita através de formas que só estão acessíveis a alguns. Por exemplo, comprar trabalhos que nem todos podem pagar ou casos em que os alunos recebem ajudas ilícitas da família.

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