Na rua, milhares de professores exigem a contagem integral do tempo de serviço

Segundo os números da Fenprof, há pelo 15 mil professores a deslocarem-se de autocarro para Lisboa.

Milhares de professores saíram pelas 15h30 da tarde desta sexta-feira da Alameda D. Afonso Henriques em direção ao Ministério das Finanças, numa manifestação pela contagem integral do tempo de serviço congelado.

A manifestação é liderada por vários dirigentes sindicais, entre eles o líder da Fenprof, Mário Nogueira, que seguravam uma faixa em que se lia "nove anos, quatro meses e dois dias, não ao apagão".

À TSF, revelou que estão inscritos, para chegar a Lisboa de autocarro, "à volta de 15 mil" professores e prometeu o anúncio de novas formas de luta no fim da manifestação".

"O Governo, ontem, fez uma declaração de guerra aos professores quando, a meio de uma luta, decide tomar uma decisão ilegal, de eliminar seis anos e meio de serviço. Teve a resposta com a greve, vai ter a resposta hoje com a manifestação, e vamos ver que respostas vai ter a seguir", comentou Mário Nogueira.

Os docentes em protesto, que assinalam hoje o Dia Mundial do Professor, entoavam palavras de ordem como "Governo escuta, os professores estão em luta" e "o tempo é para contar, não é para apagar".

Em balões azuis e vermelhos lia-se também "fim da precariedade, horários adequados", "aposentação justa".

Há mais em foco do que a recuperação do tempo de serviço

João Dias da Silva, líder da Federação Nacional da Educação, sublinha que o protesto desta tarde, em Lisboa, não tem apenas a ver com a contagem do tempo de serviço.

Entre as reivindicações dos professores incluem também "as condições que não têm nas escolas, uma aposentação digna ao fim de 36 anos de serviço efetivo e o rejuvenescimento do corpo docente, tendo em conta o desgaste psíquico, físico e psicológico" da profissão".

Minutos antes do início da manifestação, o líder da UGT, Carlos Silva, cumprimentou os dirigentes sindicais e representantes dos professores depois de o líder da CGTP Arménio Carlos já ter discursado aos docentes. Na intervenção, o líder da CGTP acusou o governo de não querer dar resposta aos direitos dos professores, fazendo de conta que os mesmos não existem.

"O anúncio da aplicação dos dois anos, mais uns meses e dezoito dias não é mais, nem menos, que uma fuga para a frente de quem, em vez de resolver os problemas com diálogo e negociação, não só não cumpre os compromissos como pretende, de forma prepotente, impor as suas regras", considerou Arménio Carlos.

O final de uma semana de greve

A manifestação desta sexta-feira é o culminar de uma semana de protesto, com quatro dias de greve, convocada por 10 estruturas sindicais de professores, que começou na segunda-feira, pela recuperação integral do tempo de serviço, reivindicações acerca da aposentação, sobrecarga horária e precariedade.

O Governo aprovou na quinta-feira um decreto-lei que define que os professores vão recuperar dois anos, nove meses e 18 dias do tempo de serviço efetuado, mas os docentes exigem a recuperação de nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço congelado.

A aprovação do decreto-lei na quinta-feira foi considerada ilegal pelos sindicatos, com a Fenprof a falar de "prepotência e inflexibilidade" do Governo e a apelar a uma grande adesão à iniciativa de hoje.

A FNE falou de "afronta aos professores" e garantiu que vai recorrer aos tribunais e a mais contestação.

O BE já anunciou que se o Presidente da República promulgar o diploma o partido vai avançar com uma apreciação parlamentar. A decisão do Governo também foi criticada pelo partido ecologista Os Verdes e pelo PCP, com os comunistas a pedirem uma audição do ministro no Parlamento e a anunciaram também a apreciação parlamentar do decreto-lei.

A manifestação passa pela Avenida Almirante Reis, Martim Moniz, Praça da Figueira, Rua da Prata e Praça do Comércio, e no final serão anunciadas novas "formas de luta" ainda para o primeiro período letivo.

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