Ministro diz aos sindicatos que "são precisos dois para dançar o tango"

Criticado pelos parceiros da esquerda, Tiago Brandão Rodrigues diz que tem "o que negociar e vontade de negociar" , rejeita ter chantageado os sindicatos. "A chantagem não faz parte do meu léxico".

Com Mário Nogueira e outros sindicalistas a assistirem, na galeria, ao debate pedido pelo PCP, o ministro da Educação insistiu na disponibilidade para retomar as negociações com os sindicatos.

"Pela minha parte existiu, existe e existirá o que negociar e vontade de negociar. Sucede que para uma negociação, como acontece no tango, são precisos dois. E para que haja negociação é preciso querer negociar".

Tiago Brandão Rodrigues diz que o Governo "andou e chegou bem além de onde estava no início" e aguarda agora que seja possível "chegar a um "lugar comum que não desperdice o caminho já feito".

Mas já no final do debate, o PCP pela voz do líder parlamentar João Oliveira deixou o aviso: "Sr. Ministro, é preciso aprender com a experiência do passado". João Oliveira lembrou o ano de 2005, com forte contestação dos professores à política da então ministra Maria de Lurdes Rodrigues: "não é desvalorizando ou diabolizando os professores que se contribui para a melhoria da escola pública".

"Esperamos que até ao início do próximo ano letivo, o Governo utilize os instrumentos que tem à sua disposição para resolver todos estes problemas".

Ou seja, o PCP quer que o Governo coloque em cima da mesa uma proposta "sobre o prazo e o modo de pagamento da valorização remuneratória".

Durante o debate, a esquerda voltou a acusar o Governo de faltar à palavra dada no Parlamento e aos sindicatos sobre a contagem "integral" do tempo de serviço dos professores.

"O Governo sabe que os professores nunca exigiram que a recuperação do tempo de serviço se desse de uma vez só e colocaram os seu faseamento ao longo de cinco anos, a iniciar em 2019", lembrou a deputada comunista Ana Mesquita.

O PCP suspeita que o "Governo está a destruir a carreira dos professores tão como a conhecemos hoje".

Heloísa Apolónia do partido ecologista "Os Verdes" considerou que "contar apenas um terço do tempo é ludibriar os professores", numa referência aos cerca de três anos da proposta do Governo contra os nove exigidos pelos sindicatos.

Pelo Bloco de Esquerda, Joana Mortágua vincou que o Orçamento de Estado falava em "prazo e em modo, nunca falou em quanto", numa referência aos 600 milhões de euros que o Governo estima possa vir o custo anual para as finanças públicas.

Joana Mortágua acusou o ministro da Educação de ter "seguido a via da humilhação, em vez da via da negociação" e ouviu, na resposta, o ministro da Educação garantir que " a chantagem não faz parte do seu léxico".

PSD e CDS insistiram nas críticas de que o Governo geriu mal o processo, alimentando "expectativas" nos professores.

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