Portugal é a nova Finlândia? El País elogia resultados do ensino português

Jornal espanhol entrevistou o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues e teceu elogios à organização e resultados do ensino em Portugal. No entanto, o especialista em Educação, Santana Castilho, acusa a atual governação de ser laxista.

Portugal é, para o El País, uma nova Finlândia: uma estrela em ascensão no que diz respeito à educação.

O jornal espanhol entrevistou o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e apresenta o governante como alguém que não tinha experiência política, mas sim como alguém com um forte compromisso social.

A partir desta premissa, o El País recorda os resultados dos últimos testes PISA , de 2015, nos quais Portugal voltou a registar uma subida e a colocar-se acima da média da OCDE nas áreas de Ciências, Leitura e Matemática.

Recordando a contestação dos professores, que querem ver contabilizado todo o tempo de serviço congelado, o jornal destaca a autonomia das escolas, a inovação pedagógica, os manuais gratuitos e a intensa formação dos professores.

Na entrevista, Tiago Brandão Rodrigues sublinha que a espinha dorsal do sistema educativo português tem 30 anos e evoca o consenso político e social em volta da necessidade de aumentar a qualidade do ensino. O ministro da Educação destaca ainda a gratuitidade do ensino pré-escolar, o Plano Nacional de Leitura, o programa de Matemática, o de enriquecimento curricular e ainda a questão dos contratos de associação.

O Partido Socialista já fez questão de capitalizar esta "entrevista-elogio", escrevendo no Twitter que Portugal é hoje uma referência mundial comparada à Finlândia.

2021 pode trazer más notícias

Para o professor e especialista em Educação, Santana Castilho, os testes PISA 2015 reconhecem mérito a Portugal, mas tal não pode ser atribuído à atual governação, que considera ser laxista.

Ouvido pela TSF, o professor reconhece que o PISA 2015 "registou progressos enormes" que se devem "aos professores que ensinaram os alunos e, obviamente, aos alunos que se aplicaram e estudaram".

"Isso faz-se com esforço, exigência e rigor. A tónica dominante das políticas deste ministério atual, de Brandão Rodrigues, é a não-exigência e o laxismo total em termos de rigor", critica Santana Castilho.

O professor diz que nos próximos testes PISA - relativos a 2018 - os resultados das políticas deste governo ainda não vão ser refletidos. Já em 2021, Santana Castilho não tem dúvidas de que Portugal vai assistir a um decréscimo nos indicadores.

"A minha previsão é de que vamos efetivamente cair quando os sistemas de avaliação medirem resultados destas políticas, o que não vai acontecer ainda com 2018. Aí ainda vamos ter reflexos de políticas anteriores. Agora, em 2021, a minha convicção é de que os resultados cairão forçosamente", reforça.

Santa Castilho sublinha ainda que há, nesta altura, em Portugal, "imensos alunos que não têm professores em disciplinas fundamentais, e não os têm meses e meses seguidos".

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