Professores exigem acordo com Governo até abril e ameaçam com "radicalização"

Fenprof lamenta "silêncio" e "indisponibilidade" do Governo do PS para discutir contagem do tempo de serviço e avisa que após o final do segundo período do ano letivo "será tudo muito mais complicado".

Mário Nogueira garante que não é um ultimato e que a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) não dá "um prazo" ao Governo para concluir as negociações relativas a matérias como a contagem integral do tempo de serviço dos docentes que esteve congelado, mas sublinha que é preciso resolver a situação, no máximo, até "meados de abril".

"Parece-nos que há um tempo útil, que é um tempo anterior àquele em que o Governo entra em modo eleições. Com eleições em maio, a partir de meados de abril será para esquecer. Eventualmente março, abril, ou seja, o que resta deste segundo período, será o tempo útil para resolver este problema, a partir daí será tudo muito mais complicado", disse o secretário-geral da Fenprof, após uma reunião com o grupo parlamentar do PS.

A delegação da Fenprof acabou por sair, esta terça-feira, pouco satisfeita do encontro que teve, no parlamento, com deputados da bancada socialista - nesta que foi a primeira de uma série de audiências pedidas pelos professores aos grupos parlamentares -, com Mário Nogueira a lamentar o silêncio do Governo e a inação dos deputados socialistas.

"Preocupa-nos o silêncio do Governo, preocupa-nos a falta de alguma proposta para resolver este problema e preocupa-nos que o grupo parlamentar do PS não esteja a fazer mais alguma coisa para que o Governo resolva o problema rapidamente. E preocupa-nos ainda mais com o avançar do ano", insistiu o sindicalista, que garantiu que, caso o atual cenário de falta de diálogo se mantenha, irá haver uma "consulta" aos professores sobre futuras ações de luta. "O que os professores decidirem que tem de se fazer, nós faremos", assinala.

Nesse sentido, Mário Nogueira lembra que está em curso um abaixo-assinado que os professores vão entregar em fevereiro e que "reafirma as posições sindicais", mas garante: haverá outras novidades.

"A partir daí não vamos andar com abaixo-assinados ou pequenas concentrações. Prevemos uma grande manifestação - não só da Fenprof como de outros sindicatos - para este segundo período e, provavelmente, uma consulta aos professores, onde vamos perguntar tudo", afirmou ainda o secretário-geral da Fenprof.

Os professores reclamam o início imediato das negociações para a contagem de nove anos, quatro meses e dois dias em que as carreiras dos docentes estiveram congeladas. Na semana passada, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, disse, no parlamento, que as negociações seriam convocadas oportunamente, lembrando que o Orçamento do Estado de 2019 é válido todo o ano e que o Governo tem o seu próprio calendário de execução do Orçamento.

"Negociaremos atempadamente, oportunamente, com os sindicatos, com a transparência e boa-fé negocial a que já habituámos as organizações sindicais", disse o ministro aos deputados.

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