Estacionar trotinetas já é profissão em Lisboa

Esta segunda-feira chega a Lisboa uma nova operadora de trotinetas com uma nova abordagem para evitar o estacionamento abusivo.

Os millennials cresceram, mas ainda conduzem trotinetas. A diferença é que já não são as traquitanas de alumínio tão populares nos anos 90, são o novo incómodo da capital.

Há milhares de trotinetas elétricas em Lisboa e a possibilidade de as deixar estacionadas em qualquer ponto da cidade é em simultâneo uma mais-valia e um grande problema. Esta é a única forma de permitir que os utilizadores percorram a cidade sem limites, mas também abre caminho a que haja trotinetas paradas em qualquer lugar. Qualquer lugar mesmo.

O Instagram Deadscooter mostra os casos mais insólitos, mas o simples facto de deixar uma trotineta atravessada nos estreitos passeios da calçada lisboeta é um obstáculo imprevisível, e por vezes incontornável, no caminho de uma pessoa com mobilidade reduzida ou de um invisual.

A Câmara Municipal de Lisboa, que já prometeu converter 1.600 lugares de carros para dar lugar a bicicletas, trotinetas e motas, para já alia-se à Carris, EMEL, Polícia Municipal e Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária com uma campanha de sensibilização.

Há operadoras que oferecem descontos a quem estacione corretamente e todas obrigam o utilizador a ler um conjunto de normas, medidas que parecem ter feito pouco para combater a negligência.

Observadores de trotinetes

Uma nova operadora propõe uma abordagem diferente para o problema. A partir de segunda-feira, a Bird vai pôr mais 250 trotinetas partilhadas nas ruas de Lisboa, mas compromete-se a agir de forma proativa contra o estacionamento abusivo.

Quatro pessoas associadas à empresa vão ter como função exclusiva controlar a localização e o estado das trotinetas disponíveis na cidade, rastreá-las em tempo real durante o dia e reposicioná-las se estiverem mal estacionadas. São os chamados Bird Watcher (observadores de pássaros).

Qualquer pessoa pode alertar estes cuidadores de trotinetas para um problema. Mesmo quem não é utilizador pode usar o Community Mode da aplicação da Bird para enviar uma mensagem ou fotografia. O Bird Watcher de serviço recebe uma notificação e vai estacionar a trotineta corretamente.

Além disso, as trotinetes serão recolhidas todas as noites para carregamento, manutenção e eventual reparação por uma equipa externa à empresa. No dia seguinte as trotinetas aparecem em locais específicos, para já 10, os chamados Nests (ninhos).

Entre Bird Watchers e a equipa que trabalha durante a noite, a Bird diz ter criado 11 empregos dedicados à gestão das trotinetas.

Não há castigos para infratores?

A Alemanha passou cinco anos a definir regulamentos antes de pôr trotinetas nas ruas. Em Portugal, a primeira operadora chegou à capital em setembro do ano passado, e desde aí surgiram mais sete. À Lime, Hive, VOI, Tier, Flash, Winda e Bungo junta-se agora a Bird. No conjunto, têm mais de cinco mil trotinetas em Lisboa.

"Foi tudo muito rápido", nota o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa. José Miguel Trigoso assume que os ​utilizadores não foram devidamente educados para o uso do novo meio de transporte, mas também aponta o dedo às autoridades.

As trotinetas elétricas são equiparadas às bicicletas no Código da Estrada e estão sujeitas às mesmas penalizações e multas. Têm de cumprir a sinalização, não podem andar nos passeios, nem nas passadeiras. E sim, o uso de capacete é obrigatório - qualquer outra interpretação das normas "é estapafúrdia", considera José Miguel Trigoso.

Porque não há consequências para os maus condutores de trotinetas? "Não tem acontecido nada porque tem havido uma inatividade preocupante das autoridades", condena o responsável.

A Prevenção Rodoviária Portuguesa lembra ainda a importância de circular o mais à direita possível na estrada, de sinalizar manobras e manter uma distância de segurança em relação ao veículo da frente para evitar choques na sequência de uma travagem.

No ano passado, segundo a PSP, houve seis acidentes com trotinetas que resultaram em quatro feridos ligeiros.

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