Família portuguesa processa Parlamento Europeu por tragédia dos incêndios

Uma das famílias que foi vítima dos incêndios de outubro na região Centro avançou com um processo contra o Parlamento e o Conselho Europeus.

A família Carvalho, de Santa Comba Dão, juntou-se a outros 10 agregados familiares de todo o mundo para exigir às instâncias europeias mais ambição e uma resposta firme no combate às alterações climáticas. A ação judicial dá entrada esta quinta-feira no Tribunal da União Europeia.

Armando, engenheiro florestal e chefe da família Carvalho, não tem dúvidas de que as alterações climáticas foram as grandes culpadas dos fogos ocorridos há mais de sete meses, que semearam um rasto de destruição e morte em vários concelhos da zona Centro do país.

As propriedades florestais, que este técnico gere com cuidado há 30 anos e que estavam limpas de mato, não escaparam à fúria das chamas naquele que foi o pior dia do ano em termos de incêndios.

"Atravessámos um ano muito difícil, com condições meteorológicas muito anormais e portanto era previsível que uma catástrofe pudesse acontecer. O que ninguém imaginou foi que a catástrofe tivesse esta dimensão", declara.

Para que uma tragédia como a que varreu vários concelhos da zona Centro não se volte a repetir, Armando Carvalho avançou para a justiça europeia. "Está na altura de a União como sendo a porta-estandarte de uma matriz cultural europeia, que pretende ser líder a nível mundial, estabelecer novas metas [ao nível das emissões de gases com efeito de estufa] e fazer as coisas de forma diferente. Obviamente que não se consegue resolver de proprietário a proprietário, de concelho a concelho, nem de país a país, nem mesmo só no seio da União Europeia", defende, reclamando uma resposta a nível global.

Ainda que sem grandes expectativas, este proprietário e técnico florestal espera que a ação judicial, que esta quinta-feira é apresentada no Tribunal da União Europeia, "sirva para algo". "Acima de tudo há aqui o simbolismo de haver cidadãos nacionais que se disponibilizam para dizer que as coisas estão a ir mal", sublinha.

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