Fernando Rosas considera "difícil" abrir Museu da Resistência e da Liberdade em 2019

O historiador e fundador do BE acompanhou os deputados bloquistas na visita à antiga prisão na Fortaleza de Peniche e duvida que obra esteja concluída dentro dos prazos estipulados pelo Governo.

O grupo parlamentar do BE visitou, esta segunda-feira, a Fortaleza de Peniche, onde, no próximo ano, segundo o Governo, deverá nascer, no espaço que em tempos foi ocupado pela prisão de alta segurança, o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade.

A visita decorreu no âmbito das jornadas parlamentares do BE, que se realizam até amanhã no distrito de Leiria e que serviu para os bloquistas sublinharem a importância de investir na cultura, no património e na memória do país.

Em Peniche, esteve também o historiador Fernando Rosas, membro da comissão instaladora e dos Conteúdos e da Apresentação Museológica do Museu - e, durante o ano de 1972, um dos presos - que se mostrou cético em relação aos prazos de conclusão da obra.

No ano passado, num Conselho de Ministros que decorreu nas instalações da antiga prisão de alta segurança dos tempos da ditadura, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, explicou que era intenção do Governo "poder inaugurar o museu antes do final da legislatura, portanto em 2019".

Fernando Rosas considera que é um prazo "difícil" de cumprir: "Vai haver um primeiro concurso para as obras exteriores, depois uma segunda tranche para as obras interiores, ainda virá o dinheiro para as duas tranches. Os conteúdos serão em breve aprovados", disse, notando que "há muita coisa que tem de ser feita em audiovisual".

"Não sei se como membro da comissão instaladora devo estar cético, mas acho difícil", assumiu, acrescentando, no entanto, que "não será pelos conteúdos que o museu não abre".

Para já, avisa, o espaço "precisa de obras de fundo", até porque, "há pisos que estão a abanar" e que precisam de obras "urgentes".

Na visita, marcaram presença vários deputados do BE, incluindo a coordenadora bloquista, Catarina Martins, e o líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, que salienta, numas jornadas parlamentares dedicadas ao investimento, que este é apenas mais um exemplo da responsabilidade que cabe ao Governo quando se fala em investimento público.

"Há nesta visita a Peniche o simbolismo de uma resistência de uma cultura que também resistiu ao desinvestimento de décadas e décadas e que agora temos o desafio de cumprir que não esteja votado ao abandono. O objetivo do BE é garantir esse investimento", afirmou.

O Governo prevê que nesta obra do Museu Nacional de Resistência e Liberdade seja feito um investimento a rondar os 3,5 milhões de euros, entre verbas públicas e fundos comunitários.

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