"Finalmente há mulheres feministas no Governo"

"Mulheres do meu País" estreia esta quinta-feira. O documentário de Raquel Freire traça o retrato de 14 mulheres para pensar a condição feminina em Portugal no século XXI. O projeto tem o apoio da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, "um sinal de que finalmente os ventos estão a mudar", defende a realizadora.

A história de Maria José Neto, pescadora de alto-mar, cruza-se com a de Leonor Freitas, a mulher que está à frente de uma das maiores empresas de vinho nacional, e com a de Mynda Guevara, rapper da Cova da Moura e a de Toya Prudêncio, ativista cigana. São 14 testemunhos, histórias de vida de pessoas com diferentes passados, diferentes obstáculos, diferentes conquistas. Todas mulheres que, à sua maneira, lutam por um país mais justo e com mais igualdade. Celebrar a diversidade das mulheres portuguesas, foi o objetivo de Raquel Freire no documentário "As Mulheres do Meu País".

"Cheguei até às pessoas que senti que tinham sofrido mais injustiças e que tinham construído sozinhas mecanismos e ferramentas para transformarem o mundo à sua volta", conta a realizadora. "São mulheres comuns, heroínas anónimas, aquelas que ninguém vê e que vão mudando o mundo à sua volta. E para mim, é a forma como mudamos o mundo hoje em dia. Não há uma emancipação; há emancipações. Há mulheres que são resilientes."

Essas histórias de resiliência entram em diálogo no documentário que agora estreia e que levanta questões: "Sem igualdade, há democracia? Com violência de género há democracia? Que espaço é que há em Portugal para as mulheres poderem transformar este país? Nós cabemos em Portugal?"

Perguntas que exigem respostas numa sociedade que ainda se debate com situações aparentemente de outros tempos. "É muito importante dizer que houve duas mulheres neste filme cujos maridos cancelaram as filmagens na véspera. E uma delas tinha 25 anos."

Mas há uma necessidade de justiça que Raquel acredita que é comum a todas as mulheres e que não pode mais ser contida. "O que se passa hoje em dia com as mulheres, em Portugal e a nível mundial, é um momento crucial. Nós não aceitamos mais injustiça."

E há também bons sinais que vão chegando. "As Mulheres do meu País" tem o apoio da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade. Raquel Freire tinha este projeto na gaveta há 15 anos, mas ainda não tinha conseguido avançar. O apoio do Governo veio mudar tudo. "Quando a Secretária de Estado Rosa Monteiro me ligou com esta proposta, eu pensei 'finalmente os ventos estão a mudar, finalmente há mulheres feministas no poder que compreendem que a desigualdade estrutural se resolve também com medidas estruturais'."

"Quando as pessoas não veem a desigualdade e a injustiça em relação às mulheres, não acho que o façam porque são burras. Não veem a desigualdade porque ela se instalou tanto, se normalizou tanto, se banalizou tanto que as pessoas já se habituaram. As próprias mulheres já se habituaram e repetem isso", defende.

Por isso, a realizadora aplaude as medidas do Governo sobre os direitos das mulheres. "É muito importante que tenha feito disso uma prioridade e tenha feito reformas estruturais. Porque se não fizermos essas reformas na Saúde, na Educação, na Justiça (...) este país está a retroceder."

"Mulheres do Meu País", de Raquel Freire, estreia esta quinta-feira, 7 de março, às 21h, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

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