Futuro do trabalho. "As transformações estão a acontecer a ritmos cada vez mais rápidos"

As Nações Unidas discutem o futuro do trabalho. O ministro Vieira da Silva admite riscos, mas também oportunidades.

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sublinha que "a única certeza que temos é que as transformações [no mundo do trabalho] estão a acontecer a ritmos cada vez mais rápidos, pelo que as empresas também têm de aproveitar as oportunidades geradas por este tipo de transformação que não tem apenas riscos".

José António Vieira da Silva está, esta quarta-feira, em Nova Iorque, a convite do presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, para falar nas comemorações do centenário da Organização Internacional do Trabalho (OIT), numa data marcada pelas preocupações com o futuro do trabalho, resultado de fenómenos como a automação de muitas tarefas e a crescente economia digital movida, por exemplo, pelas plataformas eletrónicas.

Fenómenos que foram sublinhados por um relatório recente da OIT e que são visíveis em todo o Mundo, nomeadamente nas ruas das grandes cidades portuguesas com cada vez mais condutores pagos ao dia em veículos descaracterizados ou distribuidores de comida chamados através de aplicações no telemóvel, escapando às tradicionais relações subordinadas patrão-empregado, com uma proteção social muito duvidosa.

Vieira da Silva admite que "um dos problemas principais das novas formas de organização do trabalho é que não têm nenhum suporte de proteção social", mas garante que o Governo está atento e a avançar com medidas para travar os efeitos negativos.

Por exemplo, regulando os transportes organizados através de aplicações no telemóvel (Uber, Cabify, Taxify ou Chaffeur Privé) e reforçando a proteção social dos trabalhadores independentes.

A falta de fronteiras entre a vida pessoal e profissional

O ministro explica que vai à ONU manifestar, também, o apoio de Portugal à agenda e às preocupações da OIT, destacando a necessidade de promover a proteção social, o trabalho digno, bem como "a 'soberania sobre o tempo', ou seja, a capacidade de recuperar algum controlo do tempo que se tem perdido com fronteiras cada vez menos claras entre a vida profissional e pessoal ou familiar, com horários que não têm fim ou que se prolongam para lá do que é legal".

Sobre os perigos da automação, também realçados pela OIT, Vieira da Silva defende que é difícil responder se Portugal, como qualquer outro país, está preparado para o que aí vem.

No entanto, o ministro garante que "se olharmos para as outras revoluções industriais hoje Portugal tem menos desvantagens do que tinha no passado pois os fatores fundamentais para responder a estas mudanças são a qualidade e a capacidade de adaptação das pessoas".

Vieira da Silva admite que Portugal tem "um défice crónico de habilitações escolares, mas tem um nível de qualificações que é reconhecido como elevado, numa força de trabalho com uma forte capacidade de adaptação". Em resumo, "Portugal não está condenado a sofrer apenas os problemas da automação", conclui.

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