Greve na função pública: escolas, saúde, justiça e recolha de lixo afetadas

Sindicatos esperam uma "grande greve" dos trabalhadores da função pública. Arménio Carlos acredita que ainda é possível haver alterações no Orçamento do Estado.

Os trabalhadores da administração pública cumprem, esta sexta-feira, uma greve por aumentos salariais, o que pode levar ao encerramento de escolas, ao cancelamento de atos médicos e comprometer o funcionamento de tribunais e finanças.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, revela que as indicações existentes (pouco antes da meia-noite) revelavam a "existência de grandes adesões nas recolhas de resíduos sólidos e um número significativo de câmaras municipais".

"Tudo indica que, face à indignação que neste momento se verifica na grande parte dos trabalhadores da Administração Pública, que vamos ter uma grande greve", reforçou o sindicalista em declarações à TSF.

Questionado sobre se ainda há possibilidades de alterações no Orçamento do Estado, Arménio Carlos garantiu que tudo "depende da vontade do governo".

"Há condições para evoluir na negociação e há condições para se chegar a entendimentos, assim o Governo queira. Até ao final de novembro, data em que se perspetiva a mutação final do Orçamento do Estado, há ainda muito tempo para que esse diálogo se possa verificar e para que as soluções se possam encontrar", explicou.

Sindicatos acreditam que greve pode parar vários serviços

A Fenprof antecipou, esta quinta-feira, que vão existir milhares de escolas encerradas na sexta-feira em todo o país, devido à greve da administração pública convocada pelas duas centrais sindicais.

"Pensamos que, por força da greve dos professores, por força -- e aqui determinante - da participação dos funcionários, vamos ter milhares de escolas encerradas. Eu diria, amanhã [sexta-feira] será um dia sem aulas neste país", disse hoje Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), em conferência de imprensa em Lisboa, antecipando, com base nos "sinais" dados pelos professores nos últimos dias uma elevada participação na greve.

Inicialmente a greve foi convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (afeta à CGTP) para pressionar o Governo a incluir no Orçamento do Estado para 2019 (OE2019) a verba necessária para aumentar os trabalhadores da função pública, cujos salários estão congelados desde 2009.

Mas, após a última ronda negocial no Ministério das Finanças, no dia 12, a Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), ambos filiados na UGT, anunciaram que também iriam emitir pré-avisos de greve para o mesmo dia, tendo em conta a falta de propostas do Governo, liderado pelo socialista António Costa.

"O secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, estará, juntamente com o Secretário-Geral da Federação de Sindicatos da Administração Pública, José Abraão, às 08h00 do dia 26 de outubro, na Escola Secundária Passos Manuel, em Lisboa, para acompanhamento da greve da administração pública", refere um comunicado da FNE.

As três estruturas sindicais que convocaram a paralisação manifestaram à agência Lusa a sua convicção de que "esta vai ser uma grande greve nacional na administração pública, tendo em conta o descontentamento demonstrado pelos trabalhadores".

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