"Há doentes a morrer à espera de um exame à apneia do sono"

Associação alerta para tempos de espera "assustadores" nos hospitais públicos. Doença pode atingir um em cada três portugueses.

A Associação Portuguesa do Sono garante que há doentes que esperam um ano e meio a dois anos em hospitais públicos para terem acesso a exames que confirmem o diagnóstico de síndrome de apneia do sono

O presidente desta associação que reúne especialistas, sobretudo médicos e psicólogos, nas doenças do sono diz mesmo que são "vergonhosos" e "assustadores" os tempos de espera nos hospitais públicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para ter acesso a esses exames ou mesmo consultas.

Joaquim Moita afirma que esses longos tempos de espera sentem-se não apenas em hospitais pequenos e médios mas também centrais do SNS.

O também coordenador do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra acrescenta que os hospitais precisam de muito mais técnicos e médicos que trabalhem nestas áreas.

O especialista sublinha que os doentes com apneia do sono não tratada têm sonolência o que causa acidentes rodoviários, mas também têm maiores probabilidades de enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

O médico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra garante que os médicos de família conhecem bem esta realidade pois com frequência "desesperam" quando encaminham doentes com sinais de apneia do sono para os hospitais, numa doença que pode atingir um em cada três portugueses.
A Associação Portuguesa do Sono está esta semana na República Checa onde se junta a quase 80 portugueses que participam no Congresso Mundial do Sono.

Neste congresso a associação irá receber uma menção honrosa por uma campanha promovida no último Dia Mundial do Sono (visível no vídeo anterior) em que alerta os portugueses para a importância que dormir bem tem na saúde a curto e longo prazo.

Médicos de família falam em duplo tempo de espera

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar explica que de facto os médicos de família têm muitos doentes com suspeitas de apneia do sono, mas os tempos de espera para fazer esses exames são longos.

Rui Nogueira admite que é difícil avançar com tempos de espera concretos, como faz a Associação Portuguesa do Sono. Contudo, as consequências são graves.

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar acrescenta que além do exame de diagnóstico também as primeiras consultas da especialidade nos hospitais públicos para estes doentes demoram muito tempo, sendo, na prática, um duplo tempo de espera.

Já o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares acrescenta que as doenças do sono pesam cada vez mais no trabalho dos hospitais e muitas vezes os doentes "andam perdidos" sem ter uma resposta adequada do SNS.

O representante de quem gere os hospitais não contesta os números da Associação Portuguesa do Sono, apesar de referir que não há dados oficiais que mostrem os tempos de espera exatos para os exames de apneia do sono, numa conta que varia muito de hospital para hospital.

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