IGAI encontra indícios de crime. Estado pagou milhares de refeições a mais aos bombeiros

Nos cinco dias em que os bombeiros combateram o fogo em Mação, em julho de 2017, o Estado pagou mais de 155 mil euros em refeições. Mas a IGAI encontrou grandes discrepâncias entre as faturas cobradas e o número de operacionais no terreno. Caso seguiu para o Ministério Público.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) admite a existência de uma pratica generalizada de faturas falsas na alimentação dos bombeiros e defende uma auditoria para despistar eventuais ilícitos criminais com prejuízos para o Estado.

Os inspetores da IGAI enviaram para o Ministério Público um relatório no qual identificam as "discrepâncias" entre os milhares de faturas de refeições apresentadas para pagamento à Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e o número efetivo de operacionais que estavam no terreno durante os grandes incêndios da região Centro, em julho de 2017.

A suspeita de irregularidade nas faturas da alimentação existe há alguns anos, mas esta é a primeira vez que está documentada com várias exemplos.

Na primeira noite do fogo em Mação, a 23 de julho de 2017, estavam no terreno 509 bombeiros. Mas, no total, foram feitos 1.184 pedidos para o pagamento de jantares envolvendo as corporações da Sertã, Idanha-a-Nova, Proença-a-Nova e Mação.

No dia seguinte, a 24 de julho, o recurso à fita do tempo indica que às 7h35 estavam a combater as chamas 743 operacionais, mas foram cobrados 2.755 pequenos-almoços para as mesmas corporações de bombeiros.

Neste relatório, a que o jornal Público teve acesso , a IGAI especifica todas as refeições cobradas à ANPC pelas diversas corporações que estiveram envolvidas nos cinco dias dos incêndios em Mação. Os pedidos para pagamento de refeições dos bombeiros de Mação, Proença-a-Nova, Sertã, Idanha-a-Nova e Ermesinde somaram mais de 155 mil euros.

A IGAI confrontou o diretor de Recursos Humanos e Financeiros da ANPC sobre a forma como foram conferidos e verificados os pedidos das corporações para serem ressarcidas com o número de bombeiros no terreno. O responsável esclareceu que foram os comandos distritais de Santarém, Castelo Branco e Porto que conferiram o relatório das ocorrências, em que estão as faturas das refeições e garantiu que só o comando distrital de operações de socorro pode conferir os dados. A ANPC, alegou o diretor de Recursos Humanos e Financeiros, não tem forma de detetar estas situações.

A IGAI considera que este é um caso com contornos criminais e pede uma investigação ao Ministério Público e também à ANPC para apurar eventuais prejuízos e responsabilidades disciplinares, admitindo que este seja um comportamento padrão, pode acontecer em todos os incêndios florestais.

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