Especial Incêndios

Especial TSF Incêndios 2017
Reportagem TSF

A imensa solidão nos campos queimados das termas de Monchique

À medida que o fogo vai consumindo a terra, as gentes vão-se afastando dos lugares que se tornam cada vez mais cinzentos e sós.

Uma atmosfera de silêncio e abandono envolve as termas de Monchique, no Algarve, por estes dias. Quem lá chega vê os terrenos ainda fumegantes e os edifícios abandonados. Na zona de acesso às termas há uma casa de hóspedes fechada, com dezenas de garrafões de plástico de cinco litros à porta - alguns vazios, outros com água - usados há poucos dias para apagar as chamas que encostaram a esta unidade turística.

Na porta está apenas um número de telemóvel. A proprietária diz que saiu dali no último domingo e não sabe ainda quando voltará. Antes de mais, é preciso garantir que não há reacendimentos à volta. Quando regressar terá pela frente uma longa jornada de trabalho de limpeza, que se adivinha pelas cinzas e pelo pó que invadiram aquele espaço.

Mais abaixo, ouve-se a água a correr na unidade de engarrafamento da água de Monchique. Chama-se por alguém, mas ninguém responde. Os camiões de transporte estão estacionados nas imediações, mas não se avistam os condutores.

Só a água e a natureza ardida se manifestam. Ouve-se ainda o som de uma motosserra a rasgar a encosta. Não se percebe se o ruído faz parte de algum esforço de rescaldo por parte dos bombeiros ou se será alguém já a tentar recuperar alguma coisa. Este é, contudo, o único sinal de vida, uma teimosia que parece garantir que a vida há de voltar àquele lugar.

  COMENTÁRIOS