A vida de Snu dava um filme. E deu

Aos 37 anos, Inês Castel-Branco é Snu Abecassis. O filme estreia na véspera do Dia Internacional da Mulher.

Um ramo de tulipas embrulhado numa folha de papel pardo. Uma pena de pavão colada ao diário.

Um vestido com cauda de pavão. Um vestido com penas de pavão estampadas. Eram borboletas que voavam no tecido original. A realizadora, Patrícia Sequeira, manteve o colar de pérolas mas quis adaptar o figurino. Pavão quer dizer eternidade e a história deste amor tem isso. Eternidade. Pavão também significa conhecimento. E o nome de Snu - esperta - tem isso. Conhecimento.

Foi a fundadora da editora Dom Quixote e a nórdica que se apaixonou por Francisco Sá Carneiro. A mulher por quem Francisco Sá Carneiro se apaixonou. Esta é a história dela, contada pelos passos dela, em Portugal. Snu - Uma história de Amor.

Inês Castel-Branco dá vida à vida de Ebba Merete Seidenfaden - Snu Abecassis. Tem 37 anos e o nome Snu não lhe dizia nada. Era uma página em branco, ou nem página era, não era.

A História "conta-se demasiado no masculino", exclama o irmão, Gonçalo Castel-Branco, homem de projetos criativos, que sempre viveu rodeado de mulheres fortes, e que distingue na irmã a capacidade de ser, sem concessões: "Para se estar sozinha numa sala, é preciso coragem."

Inês viajou até Estocolmo (onde Snu cresceu) para apanhar o jeito da personagem. Coisas a que não chegava pelo que leu. Viu-se e desejou-se para lhe vestir o sotaque: "Ninguém se lembra da voz dela, não há um registo áudio."

O filme é o que nos faz rodar a conversa. E a ação leva-nos pela vida de Inês e de Gonçalo. Ela cresceu maria-rapaz, entre dois irmãos mais velhos. Gonçalo, o do meio, era o rapaz que foi sendo expulso das escolas por onde passou. "Era energia criativa a mais, numa escola standardizada para o tédio." Em pequeno, adivinhava-se realizador. E hoje realiza projetos. Do comboio presidencial no Douro, que já vai na quinta edição, ao palco do Avenida Q, espetáculo que trouxe para Portugal no ano passado, Gonçalo também pisa a arena política. Participou nas campanhas de Obama e de Hilary Clinton e avança por fé nas pessoas, não há esquerda nem direita: "Tenho de acreditar que as pessoas vão fazer o melhor pelas minhas filhas."

Inês já soma 19 anos de carreira. Foi a Lucinda dos Batanetes e dezenas de outras personagens que entram em nossas casas às horas das novelas. No cinema, gostava de ser dirigida por João Canijo, ou Almodôvar ou Woody Allen. Também podia ser personagem de um guião escrito pelo irmão. E podia cantar? Podia... a menina de "voz sexy e cansada" também canta.

Uma Questão de ADN, para ouvir esta quinta-feira a seguir às 14h00 e depois da 1h00; no domingo às 14h00.

Continuar a ler

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de