"Há um sentimento de discriminação" no Bairro da Jamaica

Associação de Desenvolvimento do bairro social afirmou, no Fórum TSF, que os moradores são vítimas de racismo. Associação Sindical dos Profissionais da Polícia recusa acusações. SOS Racismo admite avançar com queixa no Ministério Público.

PorSandra Xavier
© Carlos Costa/Global Imagens

A Associação de Desenvolvimento do Bairro do Vale de Chícharos, conhecido como bairro da Jamaica, não tem dúvidas: os habitantes são alvo de discriminação e racismo.

Ouvido por Manuel Acácio, no Fórum da TSF, Dumas, um dirigente da Associação que trabalha com jovens do bairro, admite que não sabe muito bem o que aconteceu.

DUMAS, dirigente da Associação de desnevolvimento do bairro da Jamaica, no Seixcal, diz que não sabe muito bem o que se passou no dia dos incidentes

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Dumas admite que nem os moradores nem a polícia agiram bem, mas aponta o dedo aos agentes da autoridade. "Há um excesso de força por parte da polícia. Tem acontecido não só no bairro da Jamaica como também noutros bairros. É um sentimento generalizado. É notório. Todos nós o sentimos", enfatiza.

DUMAS, dirigente da Associação de desenvolvimento do bairro da Jamaica, no Seixal, fala em "sentimemto de discriminação e racismo"

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Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia defende-se, dizendo que "nem sempre o carro patrulha, com dois ou três elementos consegue, resolver certas situações" e lembra que "há zonas e situações onde mostrar força é a única maneira de proteger os próprios polícias." E garante que "não há racismo na instituição PSP, embora possa haver um ou outro elemento racista."

Paulo Rodrigues, presidente da ASPP, lembra que "há zonas e situações onde mostrar a força é a única maneira de proteger os próprios polícias"

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Os incidentes ocorridos este domingo no bairro Jamaica, no Seixal, entre moradores e polícia deram origem à abertura de um inquérito por parte do Ministério Público. Também Mamadou Ba, líder da SOS Racismo, diz estar a recolher informação para avançar com uma queixa junto da instituição.

SOS Racismo afirma estar a recolher informação sobre incidentes e apresentar queixa no MP

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