Proteção Civil

Críticas a participação no relatório são "disparate", diz ex-comandante nacional

José Manuel Moura esteve esta manhã no Parlamento e garantiu ser apenas "um técnico" que fez "um doze avos" do relatório. Diz que aceitou integrar a Comissão por "um imperativo de consciência"

José Manuel Moura, antigo comandante nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil, afirma que o relatório da Comissão Técnica Independente (CTI) sobre os incêndios deste verão não fica fragilizado pela sua contribuição.

"É um autêntico disparate. A comissão é constituída por doze peritos, a minha participação é um doze avos deste relatório que é um trabalho coletivo", sublinha José Manuel Moura, ouvido no Parlamento depois do debate sobre o relatório da CTI.

O antigo comandante da Autoridade Nacional de Proteção Civil afirma não compreender a polémica porque "é um técnico" que aceitou a nomeação por um imperativo de consciência".

José Manuel Moura recorda ainda que, por ter sido também "o responsável pelo comando operacional de Leiria, onde se registaram estas 64 vítimas" sentiu esse imperativo.

"Que eu fazia parte da Comissão era público e o facto de ter sido comandante geral também era público, não percebo onde está a novidade", disse em resposta aos jornalistas.

O antigo comandante nacional operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), afastado há um ano pela tutela e pelo presidente da instituição, teve um papel decisivo na parte do relatório que arrasou o trabalho do comando no incêndio de Pedrógão Grande.

Como noticiava ontem a TSF, depois de analisar o relatório, a atual direção da ANPC enviou ao Governo, um documento onde denuncia "erros e omissões graves" em partes do relatório com "o propósito claro de levar o leitor a formular o juízo de que houve inépcia e inoperância do Comando Nacional".

Embora sublinhe que ainda não conhece esse documento, José Manuel Moura descarta ter sido tendencioso.

"Só quem não me conhece poderia lançar qualquer tipo de atoarda nesse sentido", responde

Em defesa do relatório, José Manuel Moura diz que é um "trabalho suportado em 180 audições e em muita documentação e lamenta "esse tipo de interpretação porque não corresponde ao trabalho desenvolvido".

"Os representantes das vítimas consideraram que é um trabalho honesto, sereno e muto competente", lembra.

José Manuel Moura sublinha ainda que no dia em que os atuais responsáveis pela Proteção Civil foram ouvidos ele não estava sequer presente.

Aos críticos, o antigo comandante aconselha uma leitura completa do relatório.

"Querer expurgar uma parte ou outra não acrescenta nada e sobretudo, infelizmente, não é possível desmentir os infelizes resultados que este ano aconteceram", diz José Manuel Moura sublinhando, no entanto, que "os problemas estruturais existem há muito" e que "isso é dito no relatório".

Dos 12 peritos, seis foram nomeados pelo Conselho de Reitores e seis pelos partidos, sendo que José Manuel Moura, antigo Comandante Nacional escolhido durante o governo PSD/CDS, foi indicado para a CTI pelo CDS.

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