Ao volante pela cidade. As pessoas e os lugares de Manuel Graça Dias

Seguimos o trilho das Ruas de Rodrigo Leão e as vozes de Egas José Vieira e de Ana Vaz Milheiro. Olhares de arquitectos. Uma questão de ADN.

Podemos imaginá-lo em Lyon, no espaço que mais o emocionou: "sentei-me no chão, sozinho, e durante meia hora fiquei maravilhado, com um nó na garganta". Manuel Graça Dias descreveu, com estas palavras, numa entrevista ao Expresso, o que sentiu na capela de La Tourette do Le Corbusier.

Sentado no chão, junto ao sítio com seis altares onde os monges aprendem a dar missa : "foi a única vez que senti, perante a beleza, o que se descreve como o síndrome de Stendhal". O prazer da descoberta, do belo, dos recantos da luz. Uma das muitas viagens de um criador generoso.

Ao volante pela cidade, foi o primeiro programa de rádio sobre arquitectura.

Na TSF, Manuel Graça Dias abria a porta das ruas da cidade e conduzia o nosso olhar. Um convidado, um percurso, uma conversa em andamento. Estávamos na segunda metade da década de 90. Já o arquitecto assinava projectos com o antigo aluno, Egas José Vieira, sócios no atelier Contemporânea.

Somaram projectos, desenharam vitórias, conquistaram prémios "ele sempre me tratou por tu, mas eu nunca consegui. Até ao fim tratei-o sempre por você". Egas José Vieira nunca lhe despiu a pele de professor. O tal que gostava de desarrumar cabeças, que abdicava de certezas para distinguir a luz de uma cor, o mistério de uma parede, o recato de uma porta escondida. E de conversar.

O Manel, o Manel isto, o Manel aquilo. Egas José Vieira e Ana Vaz Milheiro falam-nos do Manel. Ela, arquitecta também, foi parceira do Manel noutros projectos, na direcção do Jornal Arquitectos, durante oito anos, em curadorias, nos artigos de crítica.

Recorda a repulsa por lugares-comuns, o rigor de uma escrita inteligente, o gosto pelo trabalho de equipa. O cinema e os livros, outras duas paixões do homem que gostava de cidades "fica o vazio, mas fica sobretudo a saudade do futuro com ele".

Esta é mais uma viagem. Como ele escreveu e disse " a vida é curta de mais para fazermos sempre a mesma coisa, temos de ser capazes de uma experimentação constante". Apanhámos boleia.

O programa Uma Questão de ADN, com Teresa Dias Mendes, passa esta quinta-feira depois das 19h. Repete de madrugada, depois da 1h e domingo, a seguir às 14h.

A autora não escreve segundo a grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990

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