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Arroz de sarrabulho de alta escola no Picadeiro limiano

No Minho, Ponte de Lima é um destino gastronómico, marcado por um prato emblemático: o arroz de sarrabulho, acolitado por rojões. Um pitéu para saborear em cenário equestre, às portas da vila que não quer ser cidade.

A vila que não quer ser cidade tem orgulho nas tradições que mantém bem vivas e são parte integrante de um legado que passou de geração para geração.

Ponte de Lima, de alma minhota e coração aberto, acolhedora e rapioqueira, nos festejos das inigualáveis Feiras Novas e na azougada Vaca das Cordas, tem a história escrita nas paredes graníticas das casas apalaçadas e dos solares, nas torres de S. Paulo e da cadeia e no arco da Porta Nova.

Quando se fala na vila limiana, de imediato vem à lembrança o arroz de sarrabulho, poderoso e fumegante, acolitado pelos rojões, tenros e saborosos.

Desde 1860 que o arroz de sarrabulho à moda de Ponte de Lima é um prato histórico, convivial, de partilha e celebração.

De tal modo consistente tem sido a transmissão do saber culinário e o labor da ativa Confraria que há mais de uma década estimula e promove o culto de tal iguaria que, hoje em dia Ponte de Lima, é um destino gastronómico por excelência.

Os vinhos verdes - os brancos, frescos e elegantes, da casta loureiro e o tinto, mais rústico, o típico vinhão - e a doçaria - já leva duas edições o concurso do bolo-rei local - dão ótimo contributo para uma refeição que faz delirar as papilas gustativas.

Aberto o apetite, é tempo de tomar a direção do Centro Equestre Vale do Lima, mesmo às portas da vila, atrás das bombas de combustível da Nacional 201, a estrada para Braga.

O restaurante Picadeiro, integrado no vasto e bem cuidado complexo, de linhas modernas e funcionais, é acolhedor, confortável e oferece total panorâmica do espaço coberto onde cavalos e cavaleiros evoluem.

Sala ampla, mesas redondas e retangulares, umas com individuais, outras com toalhas e guardanapos em pano.

No cantinho dos petiscos, há moelinhas gulosas; saladas de bacalhau e de abóbora assada, rúcula e azeitonas com vinagreta de sidra.

Saboreámos um chouriço de carne assado, que primou pela qualidade, e um bem elaborado folhado de alheira com molho de mostarda e mel.

No prato de resistência, a escolha foi inevitável: arroz de sarrabulho acompanhado de rojões e pelo séquito de frituras - tripa enfarinhada, belouras, chouriça - e de batatinha aos cubos, alouradas.

Rodelas de limão e salsa completavam o ramalhete deste prato majestoso. O arroz, carolino, como deve ser, confecionado na hora e a preceito, apresentou-se no ponto ideal e foi um convite, irresistível à gula. Numa palavra: excelente.

Este prato emblemático da gastronomia limiana faz parte da ementa em que se destacam, nos pratos de peixe, bacalhau com broa ou à Picadeiro; cataplana de peixes, bivalves e camarão; perna de polvo à lagareiro com grelos frescos; arroz de tamboril com amêijoa e camarão.

Quanto a carnes, posta de vitela minhota certificada; costeletão; secretos de porco com laranja e batata; medalhão.

Par doce remate, leite-creme queimado na hora.

Boa garrafeira. Serviço simpático neste restaurante que honra o prato mais tradicional da gastronomia local, Picadeiro, em Ponte de Lima.

Onde fica:
Localização: Rua Senhor de Pias nº 1336 Sernados Feitosa 4990-351 Ponte de Lima
Telef.: 258 943 834966 291 791 ; 965 367 598

GPS:
Latitude: 41º 45" 11,450"" N
Longitude: 8º 34" 56,741"" W

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