Bombu Minino. No casulo de António Tavares e Paulino Tavares

O diretor artístico do Centro Cultural do Mindelo é uma rabanada de vento na cidade. E vento é coisa que não falta na "Ilha Voadora" de S. Vicente, em Cabo Verde.

Este programa não seria a mesma coisa sem a ajuda preciosa da Rádio Nacional de Cabo Verde - RCV - que desde o primeiro minuto abriu as portas do estúdio, e me recebeu de braços e sorriso abertos. Quando um imprevisto impediu a presença do irmão mais velho do António à hora marcada, mesmo assim, a gravação fez-se, horas depois, com a mesma disponibilidade e sintonia. Hoje, esta rádio também está no ar. Obrigada.

E agora, a conversa que nos traz até aqui.

António Tavares é bailarino e coreógrafo. Nasceu na ilha de S. Vicente, e cedo percebeu que tinha vontade de dançar - vontade e jeito. O gira-discos azul lá de casa enchia a casa com os sons das cumbias - músicas tradicionais colombianas -, presentes trazidos pelo pai, depois de longas ausências. Era com a mãe que o António dançava. "Põe o pé assim, mexe a mão como fizeste ontem". Tnhê de Josefa percebeu. E o menino haveria de dançar. Treinava, treinava, até que outros lhe pressentiram o jeito e lhe mostraram caminhos. Saiu da ilha, e voou.

Quando a mãe de António faleceu, ele tinha 12 anos. O irmão mais velho, Paulino, andava pelos 17, e ficou cuidador dos mais novos. "Foi pai e mãe." Duvidou dessa coisa da dança como trabalho, mas recorda a primeira vez que o viu em palco: "um orgulho". Paulino também gosta de dançar, coisa de festa, mais dança colada, morna, de ritmo lento. Eles vão recordar as festas da juventude, e o rodopio da vida. Tantas voltas.

Aos 51 anos, António Tavares é o diretor artístico do Centro Cultural do Mindelo. Há três anos, entregou -se à tarefa de agitar a cidade. Mexer com a cabeça e mexer o corpo. Juntar novos e mais velhos, unir as ilhas. Criar. Fazer pulsar. Com brilho de "minino" nos olhos e o mapa de Cabo Verde no coração. No estúdio da rádio, ele sentia-se em casa. Gravou muitas músicas neste edifício virado para o Monte Cara, uma vista que nos deixa sem fôlego. Linda.

Paulino sente-se mais nervoso, inseguro, quase arrependido de ter dito que sim ao convite. Depois, a conversa solta-se, como quem dança com as palavras, cuidadas do outro lado do estúdio pelo sonoplasta da RCV, Augusto Fortes. Em Lisboa, a edição ficou nas mãos de Miguel Silva.

Sem os dois, não teria sido possível. A rádio, para nós, também é Uma Questão de ADN.

UMA QUESTÃO DE ADN, com Teresa Dias Mendes, desta quinta-feira, depois das 15h00. Repete de madrugada a seguir à 01h00, e no domingo, depois das 14h00.

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