Conselho de Opinião da RTP não vai justificar chumbo do Provedor do Ouvinte

O Conselho de Opinião da RTP diz não ser possível fundamentar votação que chumba o nome de João Paulo Guerra como novo Provedor do Ouvinte das rádios da empresa pública.

O Conselho de Opinião da RTP concluiu hoje "não ser possível fundamentar" o 'chumbo' do nome do jornalista João Paulo Guerra para Provedor do Ouvinte, sendo o resultado da votação enviado à administração "sem a exigida fundamentação".

O Conselho de Opinião da RTP tinha convocado com urgência um plenário para hoje sobre o 'chumbo' de João Paulo Guerra.

Em comunicado, aquele órgão adiantou que, tendo reunido para deliberar sobre a fundamentação da votação havida, no dia 20 de janeiro último, sobre o candidato a provedor do ouvinte, senhor João Paulo Guerra, o Conselho de Opinião da Rádio e Televisão de Portugal, concluiu hoje não ser possível fundamentar esse voto em cumprimento do disposto do n.º 5 do artigo 34.º dos Estatutos da empresa".

Por isso, "foi aprovado pelos conselheiros -- por unanimidade e aclamação -- o envio ao Conselho de Administração [da RTP] do resultado da votação, desfavorável ao candidato, sem a exigida fundamentação".

Na votação para Provedor do Ouvinte, João Paulo Guerra, que foi indigitado pela administração da RTP, obteve 15 votos contra, 12 a favor e um em branco.

Em 24 de janeiro, em declarações à Lusa, o presidente da RTP, Gonçalo Reis, disse que a empresa não ira mudar a sua posição porque "continua a achar que João Paulo Guerra reúne excelentes condições para ser provedor do ouvinte".

O 'chumbo' do nome indigitado para provedor do ouvinte gerou várias reações, entre as quais a do PCP, que exigiu, através da comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Desporto e Juventude, um parecer fundamentado ao Conselho de Opinião sobre o 'chumbo'.

Gerou ainda alguma polémica junto de alguns membros do Conselho de Opinião e motivou uma posição do provedor do telespetador, Jorge Wemans, que afirmou estar "atónito e profundamente chocado" com o resultado da votação.

O mandato da Provedora do Ouvinte, Paula Cordeiro, terminou no início do verão passado.

João Paulo Guerra é jornalista desde 1962, tendo passado pela rádio - atualmente é colaborador da Antena 1 -, pela televisão e imprensa.

Este foi o segundo nome a ser "chumbado" para aquele cargo pelo Conselho de Opinião, depois de no final de novembro ter votado contra Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa.

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