"Democracia direta é que era formidável, pá!"

Otelo Saraiva de Carvalho juntou-se à reunião do Governo Sombra para falar sobre revoluções e democracia.

Na emissão especial do Governo Sombra desta semana, que antecipa os 45 anos do 25 de abril, o Capitão que planeou e comandou as operações do golpe de Estado de 1974 contou como o processo revolucionário que se viveu em Portugal após o 25 de abril o fez questionar a democracia representativa, que tinha defendido até então.

O antigo militar explicou que "após a explosão de liberdade, (...) o povo veio demonstrar, através de assembleias populares que foram surgindo em toda a parte, uma capacidade notável, um dinamismo ótimo, uma inteligência apurada, e um sentido de participação ativa na vida política do país", e que foi esse "dinamismo, essa capacidade do povo, que durante quase meio século tinha ficado perfeitamente submetido a uma ditadura", que o levou a "mudar agulhas", e a pensar: "É pá! Democracia direta é que era formidável, pá!".

O antigo militar e político considera o voto uma importante conquista de abril, mas confessa que, apesar de exercer o direito ao voto, costuma abster-se de votar, porque não consegue acreditar em nenhum partido político da atualidade: "interessar-me-ia um partido de esquerda, mas os partidos de esquerda que aparecem no panorama nacional, no panorama político, também não me dão grande confiança para que possa votar neles", esclarece. Quanto ao voto, lamenta que acabe por transmitir às pessoas a falsa sensação de participarem ativamente na vida política do país: "o povo vai lá, mete o papelinho, e fica todo contente, porque está convencido de que está a participar, mas (...) vive os anos seguintes num estado de submissão, outra vez" - explica, desiludido.

Defensor da democracia representativa, João Miguel Tavares lembrou Otelo que "as experiências com regimes políticos completamente novos não costumam resultar espetacularmente", ao que o antigo militar respondeu: "Claro! O Melo Antunes, que foi o cérebro político do programa político do MFA, e que era o "Papa" político da malta do movimento, uma vez disse-me: 'Ó pá, ó Otelo, mas onde é que tu encontras, em algum ponto do mundo, um regime desses, de 'democracia direta', como está aí escrito no documento, 'Aliança Povo MFA'?' E eu disse: 'É capaz de não haver em nenhum, mas fazemos nós! Bolas! Porque é que não havemos de ser nós, os primeiros a fazer?" - perguntou.

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir , sempre, em tsf.pt

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