Boa vida

Do Alentejo para Lisboa, comida onde se aproveita quase tudo do animal

Um restaurante para quem gosta de comida alentejana, com uma atenção especial às extremidades e entranhas dos animais, um centro comercial transformado e a certificação do famoso pão alentejano.

Tomba Lisboas

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A fama de José Júlio Vintém vem de Portalegre, desde que abriu em 2002, juntamente com a mulher Catarina, o "Tomba Lobos" . Rapidamente se tornou um espaço presente nos roteiros gastronómicos do país pela sua criatividade na cozinha, mantendo os produtos tradicionais e regionais.

Vintém nasceu em Portalegre em 1972, oriundo de uma família ligada à gastronomia, desde o seu bisavô pescador no rio, até ao seu avô que tinha uma banca de doces, a sua mãe que ainda mantém uma fábrica de amêndoa e o seu pai, presente em tantas memórias das refeições junto ao rio ou simples ribeiros.

O Tomba Lobos abriu em Portalegre, anos mais tarde mudou-se para Pedra Basta, a poucos quilómetros e, no ano passado regressou à cidade. Na mesma altura Vintém abriu também em Lisboa o "Picamiolos" na Rua do Corpo Santo. Ambos com uma atenção especial às extremidades e entranhas dos animais.

De comercial a artístico

O Centro Comercial Stop no Porto teve anos de má fama e de local onde os cuidados com a segurança eram redobrados. Há uns anos ganhou uma nova vida com as bandas de música que, literalmente, mudaram as suas salas de ensaio para o edifício.

Gradualmente os lojistas começaram a sair e a dar lugar a salas de ensaio, espaços de produção musical, o que alterou definitivamente a génese do centro comercial. Os Go Baby Go e os Olive Tree Dance são duas das bandas que ensaiam no Stop e explicam a nova vida do lugar.

Há mais de 150 lojas alugadas para mais de 300 bandas que ensaiam, gravam e utilizam as antigas lojas do centro comercial. Por razões de segurança do próprio edifício, estão abertas as conversações entre a Câmara do Porto e uma associação que defende os espaços, Alma Stop.

Pão alentejano mais protegido

A Associação Terras Dentro já concluiu o processo para a certificação do pão alentejano como Indicação Geográfica Protegida (IGP). O trabalho começou em 2013, mas o processo de qualificação decorreu entre 2015 e 2018 e envolveu mais de 300 padarias no Alentejo.

A coordenadora do projeto, Francisca Valério, explicou que há um caderno de encargos que foi aprovado também pelos padeiros para reunir as especificações do pão, sendo que entre as mais importantes estão, além da farinha de trigo, a utilização da massa que sobra da produção anterior, conhecida por massa mãe, massa velha ou isco, como fermento. A técnica de produção também reúne características únicas.

Entre muitas entidades envolvidas, estão os operadores turísticos sensibilizados para terem nas suas unidades pão alentejano certificado. O processo segue para o Ministério da Agricultura que terá que elaborar um parecer.

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