Aeroporto do Montijo

"É o descrédito total dos estudos ambientais." Engenheiros falam em processo manipulado

A Ordem dos Engenheiros afirma que o processo para a construção do novo aeroporto do Montijo foi marcado pela "manipulação", ao serviço dos interesses da concessionária.

O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Aires, considera que o processo para a construção do novo aeroporto no Montijo é marcada pela "manipulação" e pela "opacidade".

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No Fórum TSF, Carlos Mineiro Aires denunciou que, quando o contrato para a construção de um novo aeroporto foi assinado, em 2012, não havia qualquer referência ao Montijo. "Passado pouco tempo, o Montijo já é incluído no próprio contrato", afirmou.

Na opinião do bastonário dos Engenheiros, todo o processo foi forçado "para ir ao encontro da vontade da concessionária". "E de outras vontades que não quero qualificar", acrescentou Mineiro Aires.

Carlos Mineiro Aires, bastonário da Ordem dos Engenheiros

Carlos Mineiro Aires critica fortemente o facto de os engenheiros não terem sido ouvidos sobre a construção do aeroporto no Montijo. "Neste processo todo, há uma falta intencional do envolvimento da engenharia. Nunca ninguém ouviu os engenheiros serem consultados", lamentou.

Também a forma como os estudos de impacto de avaliação ambiental foram ignorados mereceu duras palavras do bastonário da Ordem dos Engenheiros.

"Há um estudo pedido que nunca apareceu, porque nem tinha condições para ser posto à luz do dia. Está em revisão. Independentemente dos resultados que esse estudo vá ter, avança-se hoje com a assinatura de um documento importantíssimo", constatou Mineiro Aires. "É o descrédito total para os estudos de avaliação de impacto ambiental", sublinhou.

Quanto ao modo de transporte para a cidade de Lisboa dos futuros passageiros que cheguem ao aeroporto do Montijo, o engenheiro ridiculariza as opções em cima da mesa: desde a Ponte Vasco da Gama ao transporte fluvial.

"Quando se sabe em que estado é que está hoje a Ponte Vasco da Gama nas horas de ponta, é de recear o pior. Se vão criar um corredor dedicado só para o aeroporto, ainda vai haver uma confusão maior", comentou Mineiro Aires, no Fórum TSF.

"No meio disto tudo, a alternativa é o transporte fluvial. Se as saídas são do Cais do Sodré, vai-se atravessar o estuário todo para ir para o Montijo porquê?", questionou o bastonário dos Engenheiros. A alternativa sugerida por Mineiro Aires é a criação de uma "linha reta" entre o Aeroporto Humberto Delgado, na Portela, e o aeroporto do Montijo. "Essa linha reta passaria, obrigatoriamente, pela Expo [Parque das Nações], que tem todas as condições para receber, perto da Gare do Oriente, uma zona de transição", concluiu.

*com Manuel Acácio

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