"É preciso ter uma grande coragem para ser fiscal da EMEL"

José Silva veste a farda azul da EMEL há 12 anos. Admite que tem uma profissão de "alto risco", rejeita a ideia de caça à multa e destaca o facto de este ser um trabalho "muito solitário"

José Silva reconhece que assim que entra numa qualquer rua de Lisboa começa a agitação. Muitos comerciantes saem das lojas para colocarem "a moedinha", condutores que estacionaram em segunda fila pedem "mais um minuto" e outros saem de rompante dos prédios porque têm o carro sem ticket há horas.

"É fundamental as pessoas verem-nos, passados uns dias já não estacionam da mesma forma. Infelizmente estacionam bem, porque há alguém que os poderá punir".

José Silva rejeita a ideia de caça à multa, garantindo que antes de passar multa faz sempre uma avaliação sensata e dá um exemplo: "Num sítio onde esteja a decorrer um funeral, não vou para lá fiscalizar. Temos de saber ler a rua"

Apesar de haver essa ponderação lamenta que a imagem que as pessoas fazem dos "senhores da EMEL" não seja muito positiva.

"Há aqui uma ideia de que o fiscal é aquele indivíduo a quem até podemos chamar uns nomes. Aqui na rua é que se vê a educação de um povo".

Nunca foi agredido fisicamente mas considera que tem uma profissão de alto risco.

"Estou sujeito a todo o tipo de situações. É preciso ter uma grande coragem para, sem armas, andar aqui a levantar autos de contra ordenação. É preciso ter uma grande coragem para andar aqui, sozinho, fardado, todos os dias a tentar ordenar o estacionamento".

Admite que todos os dias quando sai de casa pensa nas consequências da profissão até porque "o ser humano que diz que não tem medo é um tonto".

José Silva garante que gosta do que faz, apesar de ser um trabalho duro fisicamente, uma vez que anda a pé seis horas e meia por dia, ou seja, faz mais ou menos 12 quilómetros. De negativo só a solidão.

"Estamos com tanta gente, falamos com tanta gente, mas estamos sozinhos".

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