Refugiados

Marcelo distribui afetos e mensagens de esperança pelos refugiados

No último dia da visita à Grécia, o presidente da República visitou o campo de refugiados de Tebas. Nas conversas com refugiados, lembrou que Portugal está "apto" a receber cerca de 1.000 pessoas.

Banaz Omer, de 39 anos, veio do Iraque e, em conversa com Marcelo Rebelo de Sousa, explica que chegou ao campo de refugiados de Tebas, na Grécia - e a pouco menos de 100 km da capital, Atenas -, há oito meses, juntamente com o marido e os dois filhos. No seu país natal, Banaz era engenheira civil e o marido era especialista em urbanismo. Ambos querem trabalhar, mas, na Grécia, não há oportunidades, explica ao Chefe de Estado português: "Não há projetos para trabalhar".

No campo de refugidos de Tebas, com capacidade para 700 pessoas, vivem nesta altura mais de 600, das quais apenas 12 conseguiram já autorização para permanecer no país e outras 20 pessoas têm os processos de pedido de asilo em andamento, mas nem todos querem ficar em solo grego, como é o caso de Banaz que, perante o presidente da República, diz que apenas quer que a União Europeia encontre uma solução "legal" para que os refugiados possam circular sem restrições.

Ouvindo os apelos desta iraquiana, em Tebas, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que Portugal pode receber nos próximos tempos cerca de "mil pessoas" através de programas de reinstalação, algumas delas provenientes do Iraque, apesar de ainda não estarem definidos os critérios de seleção. "O Governo português disse que estamos aptos a receber mais mil pessoas num futuro próximo", afirmou Marcelo, que, recebeu das mãos de Banez o seu currículo e admitiu que Portugal pode mesmo vir a ser uma opção para o seu futuro e da sua família. "Vou levar isto comigo para Portugal. Não vou prometer nada, porque depende do comité de seleção, mas como nós estamos prontos a receber pessoas vindas de sete países, incluindo o Iraque, pode ser que preencha os critérios", assinalou ainda antes de chamar à conversa o marido de Banez à conversa.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C), tira uma selfie durante a visita ao IOM Thiva Open Accommodation Center, um campo de refugiados para as migrações, em Tebas, Grécia, 14 de março de 2018. O Presidente da República visita a Grécia entre 12 a 14 de março. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Outro dos refugiados com que falou Marcelo Rebelo de Sousa foi Rabah Berkel, um estudante de Direito proveniente da cidade de Alepo, na Síria, que lembrou ao presidente da República a Plataforma Global de Apoio a Estudantes Sírios criada pelo antigo presidente Jorge Sampaio - e que já permitiu a algumas dezenas de estudantes serem recebidos em Portugal. "Gostaria de ir para Portugal?", perguntou o chefe de Estado, sugerindo ao cidadão sírio que avançasse para uma candidatura integrada nessa plataforma: "A sua decisão é sua", atirou.

Durante perto de duas horas, Marcelo Rebelo de Sousa visitou os "apartamentos" e os "contentores" que dão abrigo a mulheres, homens e crianças que, no campo de Tebas - especializado no acompanhamento de menores não acompanhados - são perto de 250, entre elas Cedra, de 13 anos, natural do Curdistão, que, aproximando-se de Marcelo, explica ao presidente da República que a mãe está doente.

"Temos um problema, a minha mãe está doente", disse. Na resposta, Marcelo, que avançou com um abraço que pretendia reconfortar a pequena Cedra, afirmou: "Tens de ajudá-la". A despedida, desta e de outras crianças refugiadas fez-se com um beijo, porque, como quis demonstrar o chefe de Estado, os afetos não são apenas para os cidadãos de Portugal, um país onde, diz o presidente, não escasseiam os beijos: "Em Portugal nós beijamos muito".

Notícia atualizada às 17h25