"Engolir sapos" em palco para acabar com o preconceito

Sapos de loiça para afastar ciganos inspiram a peça que tem estreia marcada para esta sexta-feira.

O Teatro Viriato, em Viseu, recebe esta sexta-feira uma peça de teatro que convida os espetadores à reflexão sobre os preconceitos de que ainda é alvo a comunidade cigana.

O espetáculo "Engolir Sapos" junta em palco um pai, uma filha e muitos anfíbios de loiça, objetos que continuam expostos em muitos locais, até públicos, e não apenas com o objetivo de decorar.

"Colocar um sapo é a mesma coisa que dizer que alguém não é bem-vindo. Não tenho dúvidas que isso acontece e que a intenção é essa mesma. Eu encontrei sapos em espaços municipais, de câmaras municipais, piscinas municipais e que estão lá por algum motivo que não é mera decoração", vinca Fernando Giestas, autor da peça, e que passou por várias cidades do país para construir o texto do espetáculo.

Fernando Giestas esteve em residências artísticas em Ílhavo, Ovar, Lisboa, Montemor-o-Velho, Figueira da Foz, Viseu, Nelas e Canas de Senhorim, onde efetuou a pesquisa que depois deu origem ao texto.

"Engolir Sapos" quer servir de reflexão para a discriminação relativamente aos cidadãos de etnia cigana, mas não só. Pretende também colocar o espetador a pensar nos sapos que muitas vezes tem que "engolir".

"Há sapos que vamos ter que defrontar, afrontar, questionar sejam eles aquilo que forem e portanto temos que saber enquadrar esse diálogo com a nossa vida e assumir que provavelmente vamos ter que engolir alguns, recusar [outros], mas podemos é questionar-nos antes porque é que os estamos a engolir ou porque é que recusamos engoli-los", afirma Fernando Giestas.

A peça "Engolir Sapos" sobe ao palco esta sexta-feira e sábado, às 21h30, do Teatro Viriato, em Viseu. A 23 de março é apresentada no Centro de Arte de Ovar.

A companhia Amarelo Silvestre gostava de levar o espetáculo a todos os sítios onde se realizaram as residências artísticas.

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