Sociedade

Escolas de hotelaria com o melhor bolo-rei do mundo

O melhor bolo-rei do mundo está a ser produzido nas doze escolas de hotelaria e turismo de Portugal.

O objetivo, nesta quadra festiva, é chegar às 3000 unidades vendidas em todo o país. A verba angariada reverte, na totalidade, a favor de instituições de solidariedade social.

A Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra propôs-se a fabricar 350 bolos rei, os melhores do mundo, e os fundos angariados serão entregues, na totalidade, à Comunidade de São Francisco de Assis, conhecida como o Colégio dos Órfãos, junto à Sé Velha.

Os ingredientes secretos que fazem deste Bolo-rei o melhor do mundo parecem ser a solidariedade e o facto de serem fabricados por jovens alunos, mas o segredo também está na massa.

O bolo-rei, o melhor do mundo, é especial porque "tem vários elementos que não são comuns a outras receitas de bolo-rei. Não é a receita tradicional do bolo-rei de confeitaria ou dos supermercados. Temos a presença de sete tipos de álcool diferentes ou a presença de fios de ovos, algo tradicional português", explica o chefe David Gomes, que deixou o primeiro passo entregue ao Henrique. "Estou a pesar a farinha. Leva 2 quilos, mas não faço ideia para quantos bolos dá", refere o aluno.

Logo depois, no segundo passo da confeção, e porque o melhor bolo-rei do mundo é confecionado por alunos, houve o primeiro percalço. "Não pode ter grumos. A massa tem de ficar completamente homogénea e depois é que vais pondo a margarina pouco a pouco, mas só depois dos sete minutos em segunda velocidade", indica o Chefe.

Na mesma cozinha, na secção de pastelaria estão 24 aspirantes a pasteleiros. Um controlo apertado, mas difícil, por isso os problemas que surgem são "ossos do ofício e servem para a aprender", garante.

Resolvido que está o problema da farinha e da margarina, seguem-se os ovos, a cerveja, anis, licor e junta-se a farinha, açúcar, sal, laranja e limão.

Vai amassar, levedar, e depois pincelar com ovo. "Estou a dar cor ao bolo-rei, antes de começar a levedar pela segunda vez e antes de entrar no forno. Vamos dar-lhe uma pincelada e a cor dele vai ser um dourado, que neste caso é um ponto característico deste bolo. Dourado por fora, mas muito mole por dentro", assegura David Gomes.

Termina com a decoração de frutas. Pronto a ir ao forno, e a comer, com sabor a solidariedade.

A distinção de "Melhor Bolo Rei do Mundo é autoproclamada pelas escolas de hotelaria, como conta Ana Paula Pais, diretora da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. "Não é porque foi testado pelas suas qualidades organolépticas ou a sua forma de confeção, mas sim porque é original, único, feito de forma diferente e por mãos diferentes. É manuseado por muitos jovens alunos e alunas".

Alunos que "metem a mão na massa", orientados pelos Chefes David Gomes e Ricardo Santos e que, segundo a diretora da EHTC, "é a dinâmica diária do exercício prático ao serviço da aprendizagem". Um método que considera eficaz porque "existe um propósito diário e que permite chegar a receitas como a do melhor bolo-rei do mundo, que resulta do conhecimento apurado ao longo dos anos".

A receita é do Chefe Inácio Berlinda, da Escola de Hotelaria de Lisboa.

Em Coimbra estão a ser fabricados bolos rei com duas dimensões: o mais pequeno é vendido a 8 euros e o maior a 12 euros. Devido ao elevado número de encomendas, a EHTC pretende estender a iniciativa de produzir o melhor bolo-rei do mundo ao longo do mês de janeiro. O valor das vendas reverte na totalidade para a instituição que a escola escolheu. O valor será entregue num jantar de reis.

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